12:50 23 Agosto 2017
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    Goldman Sachs
    © AP Photo/ Richard Drew

    Especialistas: Ação do Goldman Sachs contra os BRICS é de natureza política

    Opinião
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    Arnaldo Risemberg
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    Um artigo publicado por um site norte-americano afirma que a agência Bloomberg e o Banco Goldman Sachs consideram que a sigla BRICS está perdendo força e já não representa o mesmo potencial de quando o termo BRIC foi criado em 2001 pelo economista Jim O’Neill, então analista do próprio Goldman Sachs.

    O artigo foi motivado pela avaliação da Bloomberg de que, por ter retirado 100 bilhões de dólares em investimentos nos BRICS, o Goldman Sachs estaria desacreditando o grupo e considerando que estes investimentos devem ser direcionados a outras opções.

    Em torno deste assunto, Sputnik Brasil ouviu o jornalista Mário Russo, ex-editor do “Jornal do Commercio”, do Rio de Janeiro, e o professor de Relações Internacionais Paulo Wrobel, da PUC – Pontifícia Universidade Católica do Rio e especialista em países BRICS, para os quais “há interesses outros em jogo, que levam àquelas avaliações”.

    Mário Russo comenta que, se de fato ocorreu o noticiado pelo site americano, “isso não significa que o BRICS tenha terminado, mesmo porque não podemos ignorar o tamanho de mercado e o poderio econômico do bloco”.

    “Os países do BRICS abrangem mais de 25% das áreas de terra do planeta; reúne 40% da população mundial; tem um PIB combinado de 18,5 trilhões de dólares. Não é uma notícia de uma agência, uma decisão momentânea de um fundo de investimento que vai inviabilizar ou vai tirar, da noite para o dia, a importância desse grupo”, avalia Mário Russo. “E por que o BRICS está na mira de grandes interesses? Porque, mais do que um acordo comercial, é um acordo geopolítico para redefinir os rumos do comércio mundial, distanciando-se do G7, do tradicional, daquela política que conhecemos bem.”

    Já o professor da PUC-Rio e membro do BRICS Policy Center, Paulo Wrobel, destaca que o objetivo da formação do acrônimo BRIC era chamar a atenção para a potencialidade que aqueles quatro países (Brasil, Rússia, Índia e China) tinham em 2001, de crescimento econômico avançado e especialmente por serem grandes mercados.

    “Este anúncio agora de que os 100 bilhões de dólares do fundo específico do BRICS estariam sendo transferidos ou estariam sendo incorporados para um fundo geral dos países emergentes significaria que esses quatro países – não pensando na África do Sul – não seriam países de tanto destaque, de tanta potencialidade como eram em 2001, com exceção da China”, comenta Paulo Wrobel. “O espírito do estudo é estritamente financeiro, e nós sabemos que o BRICS acabou sendo muito mais do que apenas um conjunto de países que seriam potencialmente bons para investir.”

    O especialista do BRICS Policy Center diz não ver nessa recente ação do Goldman Sachs um objetivo político de desmoralizar os países do BRICS ou o próprio bloco BRICS. “Mas, assim como a cunhagem do termo, em 2001, acabou tendo um sentido político estratégico, a absorção do fundo BRICS nos fundos dos países emergentes pode ser que tenha uma repercussão política – e neste sentido ela não deixa de ser política.”

    Tags:
    Bloomberg, Jornal do Comércio, G7, Goldman Sachs, BRICS Policy Center, PUC, Sputnik, BRICS, Mario Russo, Paulo Wrobel, África do Sul, Índia, China, Rússia, Brasil
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