23:55 17 Maio 2021
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    Dilma busca na Suécia e na Finlândia investimentos para ajudar a retomada do crescimento

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    A Presidenta Dilma Rousseff está na Europa, em viagem à Suécia e à Finlândia, em busca de novos investimentos. O especialista Carlos Frederico Coelho comenta para a Sputnik que "Dilma retornará da Europa com boas notícias para o Brasil".

    Na Suécia, país que está fornecendo os aviões de caça Grippen destinados a modernizar a Força Aérea Brasileira, Dilma fez importantes pronunciamentos, entre os quais a confirmação de que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, permanecerá em seu cargo, e a notícia de que o Mercosul tem já pronto um acordo de livre comércio para propor à União Europeia.

    Especialista em Europa, o Professor Carlos Frederico Coelho, da PUC – Pontifícia Universidade Católica, do Rio de Janeiro, e do Instituto Unilasalle, de Niterói, afirmou que é sempre útil buscar apoio e investimentos externos quando a situação política interna atinge o grau de elevação verificado no Brasil. Para ele, Dilma retornará da Europa com boas notícias para o Brasil, anunciando investimentos suecos e finlandeses no país.

    Sputnik: Como o senhor vê esta viagem da Presidenta Dilma Rousseff à Suécia e à Finlândia, e em que áreas esses dois países poderão ampliar suas relações comerciais com o Brasil?

    Carlos Frederico Coelho: A viagem da presidente à Suécia e à Finlândia é mais uma tentativa de trazer uma agenda positiva para o Governo. Começou com a viagem para os EUA, e depois veio a viagem de Angela Merkel ao Brasil. É normal que presidentes em crise busquem agenda internacional para tentar se proteger. Em relação à Suécia, o Brasil tem uma relacionamento mais próximo em razão da compra que fez junto à Suécia dos caças Gripen que vão equipar a Força Aérea Brasileira. Quanto à Finlândia, a relação econômica entre os dois países é bastante diminuta, e a visita configura uma ação de cortesia de um chefe de Estado a outro.

    S: As últimas avaliações negativas das agências internacionais de classificação de risco tornam mais difícil a captação de recursos externos para o país?

    CFC: Sem dúvida alguma. Mesmo antes do rebaixamento da Standard & Poor's e desse “minirrebaixamento” da Fitch. Esses rebaixamentos fazem com que fundos de investimentos, que são legalmente obrigados a investir apenas em países que têm grau de investimento, não vão poder mais investir no Brasil, e isso é um problema. Não é à toa que o Brasil está vendo o aumento do investimento da China, onde a decisão certamente é mais centralizada e não passa por este tipo de crivo. A situação econômica é ruim, aponta para uma continuação da piora, e ao que tudo indica não atingimos o fundo. O que causa preocupação para a frente é a aprovação ou não da CPMF. É considerado o maior teste do Governo, sem dúvida alguma. Se ela for aprovada, pode ser que tenhamos um moderado otimismo em relação aos investimentos; se não for aprovada, fica tudo ainda mais complicado. Certamente o Brasil vai perder a nota de investimento não só na Fitch como na Moody's também, e aí a situação vai se deteriorar bastante.

    S: Quando uma agência de classificação de risco retira o grau de investimento de um país, ela automaticamente, segundo os analistas econômicos, está conferindo a este país a condição de mau pagador. E o Governo brasileiro tem dito que as reservas internacionais são da ordem de US$ 375 bilhões, portanto um capital suficiente para cobrir eventuais dificuldades externas do Brasil em arcar com seus compromissos. O senhor concorda com esse tipo de argumento?

    CFC: O único argumento que eu não absorvo é a ideia de um mau pagador. Como eu entendo, as agências atribuem graus de risco diversos ao investimento. No momento em que se perde o chamado grau de investimento, o que essas agências estão indicando é que há um risco maior em investir no Brasil e isso certamente vai afugentar os investidores.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Tags:
    relações bilaterais, Força Aérea Brasileira (FAB), Fitch, Mercosul, Carlos Frederico Coelho, Joaquim Levy, Dilma Rousseff, Finlândia, Suécia, Brasil
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