23:11 18 Agosto 2018
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    A presidenta do Brasil, Dilma Rousseff

    “Dilma chegou ao final da queda de sua popularidade”, diz analista político

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    Uma pesquisa do Ibope divulgada na quarta-feira (30) mostrou que os índices de popularidade da Presidenta Dilma Rousseff estão estáveis desde julho, apesar da crise política e econômica enfrentada pelo governo.

    “Dilma finalmente chegou ao final da queda da sua popularidade, tendo em vista os pacotes de ajuste fiscal, aumento de impostos e aumento de juros, que são medidas extremamente impopulares — e que já haviam sido anunciadas quando a pesquisa foi realizada”, disse Eduardo Barbabela, pesquisador do Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Política do IESP-UERJ (Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade Estadual do Rio de Janeiro), em entrevista à Sputnik.

    Na pesquisa divulgada ontem pelo IBOPE, 10% dos entrevistados consideraram o governo Dilma como “ótimo ou bom”, 21% disseram que ele era “regular”, 69% o qualificaram como “ruim ou péssimo” e 1% não soube ou não quis responder. Considerando-se a margem de erro estatístico de 2%, a pontuação permaneceu igual à da última sondagem, realizada em julho.

    De acordo com Barbabela, é improvável que nos próximos meses as taxas de aprovação da presidenta caiam abaixo de 10%, ou que o seu índice de reprovação ultrapasse a média de 70% a 75%. 

    Apesar do prognóstico, segundo o analista político, a iminente reforma ministerial e o novo acordo do governo com o PMDB (que aumenta sua presença na liderança dos ministérios) podem trazer alguma mudança no quadro de popularidade da presidenta. 

    “É possível que Dilma comece a fazer esse governo andar e, finalmente, a demonstrar aos seus eleitores se valeu a pena ela ter sido reeleita”, opinou Barbabela.

    Entre as alterações previstas, destaca-se a saída do ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro. Ele será substituído por Aloizio Mercadante, que, por sua vez, cede lugar a Jaques Wagner na Casa Civil. De acordo com o pesquisador do IESP, esta última troca é importante e oferece uma possibilidade de melhora nas relações entre a presidenta e sua base de aliados. 

    “Jaques Wagner tem um trânsito melhor com o PMDB e, mais do que isso, com a própria base [do PT]”, observou.

    Segundo o analista, a pasta da Educação sairá prejudicada com a saída de Janine e a volta de Mercadante, que já ocupou o cargo no primeiro mandato de Dilma. “Infelizmente, Renato Janine não teve tempo para poder desenvolver o Ministério da Educação”, disse ele, acrescentando que, no entanto, “com as mudanças que vão ocorrer, talvez a ida do Mercadante para a Educação seja uma “derrota menor”, “dado principalmente o que aconteceu na Saúde com a mudança do [ministro Arthur] Chioro, que foi quase uma imposição do PMDB”. 

    Por fim, Barbabela também acredita que a reforma ministerial enfraquecerá ainda mais os movimentos da oposição pelo impeachment da presidenta, na medida em que ela trará novamente boa parte da Câmara para o governo, e principalmente os aliados do líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani. “Com isso, ela diminui bastante a margem de manobra dos favoráveis ao impeachment”, disse o analista.

    Além disso, segundo Barbabela, o impeachment também perde fôlego com as denúncias, no âmbito da Operação Lava Jato, contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, visto pela oposição como a pessoa que poderia levar a pauta em frente.

    O levantamento do Ibope, encomendado pela Confederação Nacional de Indústria, foi realizado entre os dias 18 e 21 de setembro e ouviu 2.002 pessoas em 140 municípios.

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    Tags:
    índice de aprovação, reforma ministerial, rejeição, impostos, ajuste fiscal, juros, Operação Lava Jato, impeachment, pesquisa, popularidade, educação, Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Política, Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (IESP-UERJ), Confederação Nacional da Indústria, PMDB, Ibope, PT, Eduardo Barbabela, Leonardo Picciani, Renato Janine Ribeiro, Aloizio Mercadante, Jaques Wagner, Eduardo Cunha, Dilma Rousseff, Brasil
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