21:22 24 Junho 2018
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    A reivindicação de Caracas sobre a região de Essequibo questiona a exploração ilegal da ExxonMobil

    Disputa Venezuela-Guiana pode piorar após entrevista de David Granger à mídia brasileira

    © AP Photo / Pat Sullivan. Arquivo
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    O presidente da Guiana, David Granger, concedeu entrevista à mídia brasileira falando das relações de seu país com a Venezuela. As duas nações têm uma longa história de disputa em torno da região fronteiriça de Essequibo. O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, respondeu ao guianense.

    Em entrevista à revista “Veja” David Granger afirmou que as ameaças dos venezuelanos têm espantado os investidores e afetado o desenvolvimento econômico da Guiana nos últimos 50 anos – desde 1966, época da independência do país. O embate entre Guiana e Venezuela já foi parar em cortes internacionais, com interferência da Unasul – União das Nações Sul-Americanas.

    O professor do Curso de Relações Internacionais do INEST – Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense, Fernando Almeida, explica que a situação envolvendo a Guiana e a Venezuela é o maior conflito territorial da América do Sul.

    “É uma área muito grande, que passou a ser ainda mais visada pelos dois países em razão da descoberta recente de poços de petróleo pela empresa norte-americana Exxon, que pretende atuar no território de Essequibo. Esta região até aparece em alguns mapas da Venezuela como uma área hachurada, já que os venezuelanos a consideram ainda em disputa. Para os guianenses, faz parte do território deles. Os dois países já colocaram nas respectivas Constituições que esse território pertence a cada um deles. E essa descoberta recente de petróleo, que pode ser vultosa, é que vem acirrando recentemente a disputa.”

    Após a descoberta da reserva de petróleo nas águas territoriais da Guiana, o Presidente Nicolás Maduro chegou a publicar decretos afirmando que sua Marinha tem o direito de navegar pela região, o que na opinião de David Granger assustaria os investidores.

    Maduro não gostou das declarações dadas por David Granger à revista brasileira:

    “Coloque-se de acordo com seu próprio cérebro. Ou me pede boas relações ou continua com suas provocações. Um dos dois”, disse Maduro na TV.

    No pronunciamento, o presidente da Venezuela ameaçou interromper o acordo comercial de venda de petróleo a preços subsidiados para a Guiana, em troca da importação de arroz.

    Para o especialista em Relações Internacionais Fernando Almeida, petróleo é sempre um fator de muitos problemas. Ele prevê que em breve a questão deverá esquentar, até mesmo exigindo o envolvimento das Nações Unidas. Almeida acha difícil, porém, saber quem vai realmente conseguir mediar a situação, pois a Venezuela não aceita a intermediação da OEA – Organização dos Estados Americanos, alegando que essa entidade não passa de um braço dos Estados Unidos, e que a Guiana estaria de joelhos perante os EUA.

    “De fato, a mediação da OEA, hoje, não tem muita credibilidade”, confirma o Professor Fernando Almeida. “Nós temos os mecanismos da Unasul, seria preferível encaminhar por aí. A questão não é só ter os EUA [na OEA], também tem o Canadá, e esses países são muito afastados das realidades do Sul. O Brasil pode ter uma participação razoável nessa história, embora não queira melindrar ninguém. É mais provável que isso seja discutido no âmbito da Unasul. Como vai ser feito, é muito complicado. Envolvendo áreas territoriais extensas e com riqueza petrolífera, pode ficar muito tenso.”

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    Tags:
    relações internacionais, petróleo, disputa territorial, Organização dos Estados Americanos (OEA), ExxonMobil, Unasul, Fernando Almeida, Nicolás Maduro, David Granger, Essequibo, América do Sul, EUA, Brasil, Venezuela, Guiana
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