11:55 18 Novembro 2017
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    Opinião: se os EUA houvessem elevado os juros, o mundo sofreria as consequências

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    A quarta-feira, 16 de setembro e a manhã da quinta, 17, foram marcadas pela intensa expectativa em torno de uma possível alta da taxa de juros que poderia ser na anunciada na própria quinta pelo Federal Reserve, FED, o Banco Central dos Estados Unidos.

    A especulação global, que mexeu com o câmbio e com as Bolsas de Valores, era de que os reflexos deste possível aumento seriam sentidos em todo o mundo.

    No entanto, ao final da manhã da quinta-feira, 17, a diretora-presidente do FED, Janert Yellen, anunciou que, após dois dias de reuniões na sede do Federal Reserve, em Washington, foi decidido que a taxa de juros dos Estados Unidos seria mantida nos níveis atuais, entre 0 e 0,25%.

    Para o jornalista Gilberto Menezes Côrtes, especializado em assuntos econômicos, havia sérias razões para apreensão no Brasil, na Rússia e em todos os outros países pela possível elevação da taxa de juros nos Estados Unidos. Em entrevista exclusiva à Rádio Sputnik Brasil, Gilberto Menezes Côrtes afirmou:

    “Não há como uma mudança na taxa de juros nos Estados Unidos não mexer com a economia mundial. É a economia mais forte do planeta, seguida de perto pela China, e tudo o que nela acontece tem reflexos planetários. Por que juros não subiram nos Estados Unidos? Porque as autoridades financeiras do Federal Reserve levaram em consideração uma série de circunstâncias, no país e no mundo, e chegaram à conclusão de que o melhor a fazer neste momento seria manter as taxas nos níveis atuais, variando entre 0 e 0,25%. Mas, enquanto estas autoridades deliberavam, os especuladores agiam, confirmando uma velha prática na economia: vendem-se rumores para, só depois, lidar-se com fatos concretos. E o fato concreto qual foi? Ficou tudo da forma como estava.”

    Gilberto Menezes Côrtes destacou que inúmeras pessoas se deixaram levar pelo clima de apreensão:

    “Em função de toda esta especulação, que já vem acontecendo há algum tempo, muitos venderam ativos e os preços das commodities estão caindo. Porém, não se pode descartar a possibilidade dos juros serem elevados nos Estados Unidos até o final deste ano de 2015. Mas, acredito, não será nada de catastrófico. Ao anunciar que, em setembro, os juros não serão aumentados, o Federal Reserve concluiu que era hora de pisar no freio e assim, conter a especulação.”

    Ao informar a manutenção das taxas, a presidente do Fed, Janet Yellen, disse que “a importância do momento em que será iniciado o ciclo de alta dos juros não deve ser superestimado.” Ainda de acordo com Yellen, “a apreciação (valorização) do dólar e a queda do petróleo vão adiar esta alta.”

    Analistas econômicos sugeriram que, “ao manter o patamar dos juros entre 0 e 0,25%, as autoridades financeiras dos Estados Unidos demonstraram não estar convencidas de que a taxa de inflação de 2015 fechará em 2%, apesar dos avanços no mercado de trabalho. A taxa de desemprego caiu para 5,1% em agosto, o menor nível desde abril de 2008.” 

    Já o Comitê de Política Monetária do Federal Reserve destacou: "Recentes desenvolvimentos econômicos e financeiros globais podem restringir a atividade econômica de alguma forma e podem pressionar para baixo a inflação dos Estados Unidos no curto prazo." Diante desta perspectiva, o Comitê concluiu que deve continuar monitorando o ambiente econômico externo e interno para só então decidir se os juros aumentarão ainda este ano nos Estados Unidos.

    Por sua vez, Janet Yellen disse que não será surpresa se o anúncio deste aumento acontecer no próximo mês de outubro.

    Tags:
    juros, Dólar, Federal Reserve (Fed), Janet Yellen, Gilberto Menezes Côrtes, China, EUA
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