01:30 17 Setembro 2019
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    Reunião das bancadas de oposição na Câmara e no Senado

    Deputado Paulo Pimenta denuncia ações abertas de golpe contra Dilma

    Lucio Bernardo Jr./ Câmara dos Deputados
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    A Presidenta Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira (16) que qualquer tentativa de retirá-la do Palácio do Planalto ou abreviar seu mandato é golpe. Na véspera, o Deputado Federal Paulo Pimenta (PT-RS) tinha acusado a oposição liderada por PSDB e DEM de assumir abertamente a bandeira do golpe para chegar à Presidência da República.

    Líder do Governo na Comissão de Orçamento e vice-líder da bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara, o Deputado Paulo Pimenta concedeu entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, explicando a indignação de seu discurso no Plenário do Congresso Nacional.

    Segundo o deputado, a data de 15 de setembro marca a oficialização, por parte da oposição, da tentativa de construir um processo golpista no Brasil.

    “Na sessão, o líder do Democratas, Deputado Mendonça Filho, apresentou uma questão de ordem, perguntando ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha, quais são os prazos e o rito utilizado na análise dos pedidos de impeachment da presidente. Portanto, foi formalizada na sessão, por parte do líder dos Democratas, a intenção de promover um processo de impeachment, fato que até então vinha sendo tratado com cautela ou mesmo negado.”

    Para Paulo Pimenta, todo esse processo é uma manobra articulada da oposição, que aguarda a deliberação de Eduardo Cunha, mesmo que de maneira contrária a qualquer um dos 17 pedidos de impeachment, para recorrer ao plenário da decisão do presidente da Câmara.

    “O jogo combinado é exatamente esse. O presidente nega o pedido de impeachment e o requerimento da oposição no Plenário, previsto no regimento como se fosse uma questão de ordem, recorre da decisão do presidente ao Plenário. O ato dos Democratas ontem [15] foi exatamente o sinal para o Parlamento e para a sociedade de que está em curso o processo de tentativa de abreviar o mandato da presidente.”

    O deputado explicou que a sua manifestação após a ação da oposição foi em nome da bancada do Partido dos Trabalhadores, como uma forma de responder que o PT não vai admitir nenhuma hipótese de golpe.

    “Seja no Parlamento, seja nas ruas, em todo o Brasil, nós não vamos admitir qualquer tentativa golpista. Não me surpreendeu que esta questão tenha sido encaminhada pelo líder dos Democratas. Os Democratas, como todos sabem, são o antigo PFL, que por sua vez é um partido originário lá da antiga Arena, partido que sustentou o golpe e a ditadura militar no Brasil.”

    Segundo o parlamentar, não há dúvidas sobre as intenções dos setores conservadores da política brasileira, mas ele garante que não será uma tentativa de golpe que vai tirar a Presidenta Dilma do lugar concedido pela soberania do voto popular.

    “Queremos de maneira vigorosa, cristalina, dizer à sociedade brasileira que não será uma ação golpista como essa que vai desfazer aquilo que de maneira soberana e democrática a população brasileira fez, quando elegeu com mais de 54 milhões de votos a Presidenta Dilma, a nossa presidente. Está aberto o debate sobre o impeachment, agora de maneira oficial, e nós apresentamos de maneira bastante transparente a nossa disposição de lutar em todos os campos, sejam eles jurídicos, parlamentares ou na rua, contra qualquer tentativa nessa direção.”

    Durante a entrevista para a Sputnik Brasil, o Deputado Paulo Pimenta disse que mantém categoricamente as palavras proferidas por ele no Plenário sobre o Partido dos Democratas:

    “Não gostam de ser chamados de golpistas, mas querem rasgar a Constituição. São os filhos da ditadura que não se conformam em ter perdido nas urnas para um operário, como Lula, e para uma mulher, como Dilma.”

    O Deputado Pimenta disse ter convicção de que a inciativa descrita por ele como autoritária, por parte da oposição, não terá eco na sociedade, e que também dentro do Parlamento haverá uma maioria sólida não em defesa do Governo, mas em defesa da democracia.

    “O que está em discussão, em jogo, não é o Governo da Presidenta Dilma, mas sim a Constituição Brasileira, os princípios fundamentais que regem o Estado Democrático deste país, conquistado duramente após o duro período da ditadura militar. É exatamente o Partido da Ditadura, aqueles que estiveram presentes no Golpe de 1964, que mais uma vez se apresentam à sociedade brasileira com a sua sanha autoritária e golpista para tentar rasgar a Constituição de maneira antidemocrática e ilegal, buscando abreviar o mandato da presidente legitimamente eleita.”

    Sobre as especulações de que a Presidenta Dilma pode convidar o ex-Presidente Lula para assumir um de seus ministérios, o Deputado Paulo Pimenta afirmou que o ex-presidente é um brasileiro preparado política e tecnicamente para estar à frente de qualquer pasta do Governo brasileiro, mas não acredita na possibilidade agora de Lula integrar a equipe de Dilma. O deputado acredita que Lula não está no Governo atualmente por uma decisão dele.

    “Ele sabe da sua autoridade, sabe da sua responsabilidade e dimensão política de entender o momento político em que nós vivemos e a necessidade de que a presidente tenha liberdade de fazer os movimentos políticos que entende mais adequados. Agora, a conjuntura sempre é um processo muito dinâmico, muito intenso, a Presidenta Dilma e o Presidente Lula têm um diálogo permanente, de alto nível, como estadistas que são, mas não creio que neste próximo período, pelo menos, o ex-presidente venha a integrar o Governo. As tarefas que ele tem a cumprir, inclusive hoje, estão muito além das fronteiras do Brasil, como grande líder político que é.”

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    Tags:
    impeachment, golpe de Estado, PSDB, DEM, Congresso Nacional, PT, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, Eduardo Cunha, Mendonça Filho, Paulo Pimenta, Brasil
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