11:28 26 Setembro 2017
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    O ex-presidente Lula, a presidenta da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner e o governador de Buenos Aires, Daniel Osvaldo Scioli
    Ricardo Stuckert/Instituto Lula

    Lula viaja à Argentina para dar apoio ao candidato de Cristina Kirchner à Presidência

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    Depois de se encontrar no início da semana com o presidente do Paraguai, Horacio Cartes, o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu início nesta quarta-feira (9) a uma viagem de três dias à Argentina. Lula participa da campanha de Daniel Scioli, candidato governista à sucessão de Cristina Kirchner.

    Além de usar sua popularidade na Argentina para manifestar apoio a Scioli, Lula vai receber dois títulos acadêmicos Honoris Causa e participar da inauguração de um centro de saúde na Província de Buenos Aires.

    O professor de História e Relações Internacionais da Unilasalle e da Universidade Rural do Rio de Janeiro, Rafael Araújo, vê esse apoio político do ex-Presidente Lula e do presidente da Bolívia, Evo Morales, como algo natural, pois tanto Morales quanto Lula foram aliados dos Kirchner desde 2003.

    “Morales e Lula se aliaram e foram parceiros fundamentais do kirchnerismo durante esses anos. Eu vejo esse apoio com naturalidade. Cristina Kirchner disse que a visita de Lula e Morales materializam o apoio de duas lideranças expressivas da esquerda latino-americana ao seu projeto de governo que pode ser seguido por Daniel Scioli, e com um discurso de que há uma ofensiva de forças conservadoras contra os Governos de esquerda na América Latina. Nesse sentido haveria que se construir uma unidade dessa esquerda em prol da eleição do Daniel Scioli.”

    O candidato kirchnerista Daniel Scioli há um mês venceu as prévias com 38,4% dos votos, e o especialista em relações internacionais acredita que ele mantém o favoritismo para as eleições do dia 25 de outubro, mas precisa ter 45% dos votos ou 10% a mais do que o segundo colocado, o seu opositor Mauricio Macri.

    “Eu acredito que Daniel Scioli é o favorito para o primeiro turno das eleições na Argentina”, afirma Rafael Araújo. “ A margem de votação que teve nas prévias indica que ele de certa forma sai na frente e tem de forma real a possibilidade de, se não ganhar no primeiro turno, chegar pelo menos em primeiro lugar para o segundo turno. O próprio apoio de Lula vem de certo modo referendar o objetivo de que Daniel Scioli conquista a vitória no primeiro turno.”

    Segundo alguns analistas, Daniel Scioli estaria confiante na vitória e já trabalhando na modelagem do seu perfil internacional, ao participar de um encontro nos últimos dias com embaixadores dos países da União Europeia, em Buenos Aires. Para Rafael Araújo, tal postura do candidato pode ser uma convicção da vitória ou uma tentativa de obter um apoio internacional que poderia quebrar uma eventual rejeição interna.

    “Eu vejo mais com esse movimento”, diz o Professor Araújo. “Não tanto como chefe de Estado, mas como alguém que está buscando respaldo internacional, na Europa e na América do Sul, para que as vozes da oposição fiquem cada vez mais isoladas.”

    Rafael Araújo acredita ainda que a aproximação de Daniel Scioli com os países da União Europeia e da América do Sul é uma forma de o candidato sinalizar para o povo argentino que vai dar um grande peso à política exterior da Argentina se vier a ser o sucessor de Cristina Kirchner:

    “Scioli vai não só continuar com as diretrizes da política externa implementada por Nestor e Cristina Kirchner, mas também buscar uma liderança internacional com respaldo e com legitimidade.”

    Tags:
    eleições presidenciais, Daniel Scioli, Rafael Araújo, Luiz Inácio Lula da Silva, Cristina Fernández de Kirchner, América do Sul, Argentina, Brasil
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