09:04 29 Outubro 2020
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    O porta-voz da Presidência dos EUA declarou que nada sabe sobre o desfile militar a ser realizado na capital chinesa por ocasião do 70.º aniversário da vitória chinesa na guerra contra o Japão.

    Não sabe nada sobre a presença de líderes de mais de 30 países nessa comemoração, nem sobre a participação do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, nem sobre a visita à China, nesse período, do presidente russo Vladimir Putin. Aparentemente, não representa nenhuma importância para os EUA a realização do encontro de dois líderes considerados entre políticos e a grande mídia americana como inimigos dos EUA?

    Será que não se sabe nada? Será que é mais uma ingenuidade ou inútil tentativa de não demonstrar nenhuma preocupação dos EUA com o elo que eles próprios ajudaram a florescer?

    Não é nada disso, mas mais um passo para a escuridão, perda de bom senso, da lógica da cada vez mais e mais incompreensível política do país que se considera líder mundial, restaurador da democracia, verdadeiro e único defensor dos bons costumes.

    Porém, tudo começou muitos anos atrás, vem da longa data. Os governantes atuais, na sua luta contra "guerras sujas" esqueceram por completo as páginas da sua história, particularmente a Primeira Guerra Mundial, quando conseguiram com uso de gás tóxico tirar de combate 425 mil soldados russos, dos quais 56 mil morreram. De mesmo modo caiu no esquecimento o movimento liderado pelo Presidente Roosevelt para "eliminar o fator de lucros das guerras dos EUA". 

    Claro que não poderiam deixar de entrar nessa lista as repetidas promessas de abertura do "segundo front" durante a Segunda Guerra Mundial.

    Pouco tempo atrás a humanidade recordou os trágicos acontecimentos de 1945, em que os EUA jogaram bombas atômicas sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki. Mas nem os líderes norte-americanos nem a mídia do país lembrou a frase do Presidente Truman citada por Oliver Stone e Peter Kuznick no bestseller "The Untold History of United States", quando Harry Truman se referiu a Hiroshima como “este grandioso acontecimento da história da humanidade", acrescentando que "informar a explosão foi a mais feliz declaração que fez durante toda a sua vida". 

    Ultimamente essa lista pode e deve ser acrescida com "pouca informação" e falta de conhecimento da liderança dos EUA sobre revoluções coloridas, seus protagonistas e financiadores, guerra na Geórgia, fracassos econômicos de vários governos europeus que assumiram as propostas (por que não dizer ultimatos?) dos EUA sobre rumos a serem tomados por seus países, razões de muitas guerras e finalmente o "levante popular" em Kiev, num lugar chamado Maidan (aliás, um lugar de recentes processos armados já contra o governo atual, desta vez promovidos por forças neonazistas).

    É óbvio também que as lideranças dos EUA não sabiam de nada sobre as forças da OTAN na Europa e que as ogivas instaladas em solo europeu não estão voltadas para um inexistente inimigo asiático, mas contra um país chamado Rússia. Sobre o Boeing da Malaysia Airlines, também obviamente, não se fala.

    Será que o mundo confia nisso? Fica cada vez mais complicado acreditar. Entre as verdadeiras razões, torna-se mais evidente a existência da incurável doença chamada “constante e inesgotável fome de lucros a qualquer custo”. Algumas poucas famílias americanas, provavelmente menos de dez em todo o país, donas de incalculáveis fortunas, avaliadas em muitos trilhões de dólares, querem e exigem cada vez mais lucros. Como os próprios EUA provaram (veja os resultados da Primeira e da Segunda Guerras Mundiais), a guerra é o melhor meio de enriquecer rapidamente.

    Não devemos ter mais dúvidas. Tudo em ordem com a memória deles, mas perdê-la por alguns instantes e, quem sabe, alcançar mais uma guerra não faz mal a ninguém.

    De vez em quando.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Tags:
    "The Untold History of United States", Segunda Guerra Mundial, ONU, Boeing, Malaysia Airlines, OTAN, Peter Kuznick, Oliver Stone, Harry Truman, Vladimir Putin, Ban Ki-moon, Nagasaki, Hiroshima, Europa, Geórgia, Kiev, Japão, Rússia, China, EUA
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