00:42 14 Dezembro 2017
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    A chanceler alemã, Angela Merkel, a presidenta Dilma Rousseff, no Itamaraty

    Visita de Angela Merkel é demonstração de prestígio a Dilma Rousseff e ao Brasil

    Lula Marques/ Agência PT
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    Ocorreu nestas quarta e quinta-feiras, 19 e 20, a visita oficial da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, ao Brasil. Ela foi recebida por Dilma Rousseff e assinou diversos atos conjuntos com a presidente, num evento que foi interpretado como um sinal de prestígio, para Dilma e o país, da parte de Merkel, o grande nome político da Europa atual.

    A opinião é de Fabiano Mielniczuk, professor de Relações Internacionais do Audiplo, instituto preparatório para o curso de ingresso no Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Em entrevista à Sputnik Brasil, o Professor Mielniczuk analisa a importância da visita da chefe de Governo da Alemanha a Brasília, nestas quarta e quinta-feiras, 19 e 20.

    Sputnik: Como o senhor avalia esta visita da chanceler alemã a Brasília?

    Fabiano Mielniczuk: O pessoal do Itamaraty, nas entrevistas coletivas relacionando a visita de Merkel à situação política interna do Brasil, foi bastante feliz em enfatizar que isso demonstra o prestígio do Brasil, não tanto por conta da crise interna que o Brasil vive e que a Presidenta Dilma Rousseff está enfrentando aqui, com a possibilidade de impeachment, discussões acaloradas com os líderes do Parlamento e com a base de sustentação do Governo no Congresso, mas, principalmente, por conta da situação da Europa. É impressionante que Angela Merkel, que é o pivô de todos os debates a respeito da crise grega – se a Grécia ficaria ou não na zona do euro, se a Grécia honraria os pagamentos das dívidas que tem com os credores, principalmente alemães –, é surpreendente que, neste contexto de crise acirrada ainda na zona do euro, Angela Merkel venha para o Brasil com uma comitiva bastante significativa, com meia dúzia de ministros, com secretários, com empresários, e venha discutir parcerias econômicas, educacionais e culturais com o Brasil. Neste sentido, a leitura é bastante correta, representa, sim, uma prova do prestígio que o Brasil e a Presidenta Dilma Rousseff têm com Angela Merkel. É um momento muito delicado para a Alemanha, e a vinda demonstra a consideração pelo Brasil e pelo potencial que o Brasil tem como parceiro econômico e político da Alemanha.

    S: E a questão dos grampos nas comunicações de Merkel e de Dilma, espionagens feitas pela inteligência norte-americana?

    FM: Não esqueçamos que, depois que foram vazados os grampos nas comunicações tanto da Presidenta Dilma quanto de Angela Merkel, por parte dos serviços de inteligência dos EUA, o Brasil e a Alemanha foram os primeiros a propor resoluções na Assembleia-Geral das Nações Unidas para que os países tivessem seus direitos às comunicações respeitados e que as Nações Unidas trabalhassem no sentido de fazer um relatório apontando o que poderia ser feito para controlar a invasão da privacidade digital. Brasil e Alemanha também são parceiros nesta frente de combate a posturas unilaterais dos EUA. O Brasil e a Alemanha têm uma parceria importante. A Merkel vem para cá num momento difícil na Alemanha, mas tem um outro aspecto que não pode passar despercebido, que é o fato de a Alemanha vir ao Brasil, estabelecer novas áreas de parcerias, estabelecer inclusive parcerias no que diz respeito à exploração de recursos minerais que o Brasil possui e que são muito importantes para o desenvolvimento de indústrias de alta tecnologia, produção de smartphones e outras dessa natureza, num momento posterior à visita do primeiro-ministro chinês e da promessa de bilhões de investimentos da China aqui na América do Sul. Isto me parece algo muito importante. A Alemanha está jogando um jogo que é de contrabalançar a influência chinesa no resto do mundo, e é importante contrabalançá-la aqui no hemisfério ocidental, aqui no Brasil, que é um parceiro tradicional da Alemanha.

    Tags:
    entrevista, Fabiano Mielniczuk, Angela Merkel, Dilma Rousseff, Alemanha, Brasil
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