02:11 18 Agosto 2017
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    “Mídia internacional se articula para desacreditar os BRICS”

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    Opinião
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    BRICS: organização do futuro (189)
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    “O Brasil tem todas as condições para recuperar a sua economia. O Brasil possui reservas internacionais de 380 bilhões de dólares e superávit fiscal. Ou seja, o país gasta menos do que recebe, do que arrecada com tributos. Portanto, sobra dinheiro e, se há sobra de dinheiro, há condições para a economia se recuperar.”

    As palavras são do renomado economista, cientista político e professor de Relações Internacionais Theotonio dos Santos, em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil.

    Na entrevista, o Professor Santos questionou os argumentos da mais recente reportagem do jornal britânico “Financial Times”, publicada na segunda-feira, 3. Na matéria, o FT afirma que “o Brasil passou de um dos motores da economia global, como umas das nações com crescimento acelerado dos autodenominados BRIC, à condição de homem doente dos grandes mercados emergentes”.

    Na opinião do economista, o Brasil passa por dificuldades que podem ser superadas e que, “comparado a um país muito elogiado, como o México, vive uma situação muito melhor”.

    Essa é, em poucos dias, a segunda matéria que o jornal “Financial Times” dedica ao Brasil. Na anterior, a publicação afirmou que “a situação no Brasil parece um filme de terror sem fim”, numa direta referência às denúncias de corrupção relacionadas à Petrobras, funcionários e ex-funcionários da empresa, grandes empresários nacionais e diversos políticos.

    Na última semana de julho, a agência de classificação de riscos Standard & Poor’s rebaixou para negativa a perspectiva da economia do Brasil, deixando no ar se, em sua próxima avaliação, poderá retirar do país a classificação de grau de investimento. Mas, nas palavras do Professor Theotonio dos Santos, estes fatos devem ser vistos com cautela e reservas:

    “Eu, particularmente, não acredito nestes avaliadores”, diz ele. “Não confio em seus critérios e em suas análises. Em 2007, por exemplo, eles diziam que o mundo estava uma maravilha e que a economia mundial estava estabilizada sem correr quaisquer riscos. Pois bem, veio a crise econômica de 2008 e todos sabemos o que aconteceu durante e depois dela. No caso do Brasil, temos de admitir que vivemos num país de contrastes. Há três anos, tínhamos uma economia sólida, com vendas expressivas para o exterior e crescimento econômico muito elogiado. De repente, alguém decide mudar os rumos da política econômica e adotar uma política de juros altos. Ora, isso afetou diretamente as perspectivas do Brasil, assim como aconteceu em vários outros países. O que nós vemos hoje são tentativas do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional de quererem ditar normas e rumos para as economias. Claro que isso não pode dar certo.” 

    Questionado se parte da imprensa internacional poderia estar articulada para desacreditar alguns países, o Professor Theotonio dos Santos, autor de 38 livros e coautor e colaborador de outros 78, responde:

    “Não se pode desprezar esta hipótese, principalmente em relação aos países BRICS. Os Estados Unidos, que terão um crescimento máximo de 2,5% este ano, são elogiados. Já a China, que crescerá ‘apenas’ 7%, é criticada por não crescer 7,5% como o seu Governo previa. A Índia também tem a sua importância diminuída, e Brasil e Rússia são constantemente atacados. Então, não há como não ver uma certa animosidade contra os BRICS e um papel discutível por parte de alguns órgãos da imprensa internacional. Mas quem quiser que acredite neles.”

    Theotonio dos Santos é Mestre em Ciência Política pela Universidade de Brasília, Doutor em Economia pela Universidade Federal de Minas Gerais, Professor Emérito da UFF (Universidade Federal Fluminense) e Professor Visitante da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro).

    Tema:
    BRICS: organização do futuro (189)
    Tags:
    BRICS, Theotonio dos Santos, Grã-Bretanha, México, África do Sul, China, Índia, Rússia, Brasil
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