00:54 22 Outubro 2017
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    Michel Temer, vice-presidente do Brasil
    José Cruz/ Agência Brasil

    Especialista diz que viagem de Michel Temer aos EUA é positiva

    Opinião
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    Em meio à crise política, intensificada pela desavença entre o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o Governo da Presidenta Dilma Rousseff, o vice-presidente da República, Michel Temer, está nos Estados Unidos para, segundo ele, tentar atrair investimentos para o país.

    Michel Temer, presidente nacional do PMDB e principal interlocutor do Palácio do Planalto com o Congresso Nacional, realiza em Nova York palestras para o empresariado local sobre o cenário político e econômico do Brasil.

    A viagem de Temer ocorre menos de um mês depois de a Presidenta Dilma Rousseff ter visitado os Estados Unidos, onde participou de negociações com o Presidente Barack Obama e também se encontrou com empresários, com o objetivo de passar confiança aos investidores estrangeiros.

    Para Creomar de Souza, professor de Relações Internacionais da Universidade Católica de Brasília, a viagem do vice-presidente aos Estados Unidos é vista com bons olhos. “O interesse dele é passar uma visão de que há uma estabilidade institucional de forma clara no Brasil hoje, independentemente de alguns percalços que nós encontramos”, diz o especialista. “O vice-presidente vai utilizar a sua capacidade de articulação e diálogo com diversos setores da economia brasileira e também da americana para mostrar que o Brasil ainda é um destino confiável para o investimento da comunidade de negócios dos Estados Unidos.”

    Creomar de Souza chama a atenção de que diversos fatores influenciaram no afastamento dos investidores norte-americanos do Brasil, e não somente as denúncias de corrupção envolvendo a maior empresa brasileira, a Petrobras. “Todo processo de aproximação ou afastamento de investidores envolve uma série de variáveis. Obviamente, o caso que envolve a Petrobras tem a sua relevância, mas outros elementos também devem ser levados em conta, como a própria instabilidade do cenário macroeconômico brasileiro e latino-americano, a dificuldade que os EUA apresentaram em termos econômicos nos últimos anos e a consequente retração de muitas grandes empresas daquele país, sobretudo na crise de 2008. Nós temos uma cadeia de fatores que levam à construção desse cenário que acabou fazendo com que o Brasil fosse um destino pouco convidativo aos investimentos dos Estados Unidos.”

    Nesta segunda-feira (20), o Vice-Presidente Michel Temer afirmou em Nova York que há apenas uma “crisezinha” no Brasil após o episódio envolvendo o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Na semana passada, Cunha anunciou não só o rompimento com o Governo, mas também disse que passaria a atuar como opositor à gestão de Dilma Rousseff. Porém, garantiu que a relação institucional não seria afetada.

    Sobre Michel Temer ter minimizado a crise política, o Professor Creomar de Souza acredita que a atitude faz parte do seu papel como vice-presidente de passar uma normalidade interna para a população brasileira e possíveis investidores internacionais. “A crise tem os seus elementos políticos que são graves, que envolvem sobretudo uma série de denúncias, mas envolvem também alguns choques institucionais entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. De outro lado, a gente não pode esquecer o fato de que a função do vice-presidente da República constitucionalmente falando, e também em termos funcionais, é de fazer com que haja uma normalidade na articulação entre os poderes, uma vez que ele coordena a Secretaria de Relações Institucionais. Nesse sentido, ele tem que colocar o seu capital político à mostra para vender para o público nacional e para aqueles investidores estrangeiros interessados no Brasil o fato de que a crise tem solução e de que o Governo consegue colocar o país no rumo certo.”

    De acordo com o Professor Creomar de Souza, o Vice-Presidente Michel Temer é o homem certo para amenizar o olhar desconfiado do investidor estrangeiro sobre o Brasil. “O perfil de Michel Temer coloca na medida o indivíduo certo no local correto neste momento em que precisamos construir soluções para esse processo que se avizinha.”

    Tags:
    investidores, relações bilaterais, Michel Temer, EUA, Brasil
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