13:47 22 Outubro 2017
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    Sukhoi Superjet 100

    Sukhoi Superjet 100 se prepara para aterrissar no Irã

    © flickr.com/ SuperJet International
    Opinião
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    Vladimir Sazhin
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    O ministro de Transporte russo, Maxim Sokolov, declarou que a Rússia e o Irã estão negociando a venda de aviões russos Sukhoi Superjet 100 (SSJ-100). O Irã pode receber três dessas aeronaves. Mas como tal acordo poderia ser avaliado?

    Mal foi assinado o histórico documento do acordo entre o Irã e a Rússia, China, França, Alemanha, Grã-Bretanha, UE e os EUA, no papel de mediadores internacionais, que o comércio russo se lançou sobre o mercado iraniano. É preciso notar, no entanto, que o diálogo entre homens de negócios da Rússia e do Irã, nas mais diversos áreas de cooperação, nunca deixou de existir, tendo ficado apenas muito mais intenso no decorrer do último ano.

    E isso é absolutamente correto. O Irã é um terreno atrativo para negócios, inclusive para a aviação civil. O volume de investimentos no mercado de aviação iraniano é avaliado em até 20 bilhões de dólares, e, não por acaso, está na mira das maiores fabricantes de aviões do mundo: Boeing e Airbus. Afinal de contas, ele é um verdadeiro oásis para empresas produtoras de aeronaves.

    Segundo especialistas, a aviação civil iraniana carece de pelo menos 400 aviões. A frota do país está diminuindo a passos largos – consequência da degradação das aeronaves e da impossibilidade de sua modernização por conta de sanções econômicas, adotadas contra o Irã por causa da sua política nuclear. Sendo assim, é significativo o fato de os voos internos do país serem feitos com aviões "raros". Por exemplo, o primeiro Airbus A300, ou o Boeing 747-200, ambos fornecidos ao Irã em meados dos anos 1970, ou seja, há mais de 40 anos. A idade média dos aviões no país é de 27 anos. Para efeitos de comparação, a idade média dos aviões de uma das maiores companhias aéreas do Golfo Pérsico, a Emirates, é de 6,3 anos.

    Sem dúvida não se trata apenas de uma questão meramente econômica, mas, antes de tudo, de segurança. Infelizmente, o Irã entra na lista de países onde os acidentes aéreos não são raridade.

    Mas agora, com a aprovação do acordo e o levantamento das sanções, a situação da aviação civil do Irã poderá mudar. A frota do país será modernizada e, pouco a pouco, os antigos aviões serão movidos dos aeroportos para museus.

    Eis o que diz o deputado da câmara baixa do parlamento russo Vladimir Gutenev: "Eu não tenho dúvida de que o Irã começará a diversificar a sua frota. E o maior concorrente político e econômico da norte-americana Boeing e da europeia Airbus (apesar de também existirem, por exemplo, a brasileira Embraer e a canadense Bombardier), é o nosso avião russo. Por enquanto trata-se do SSJ-100, mas, acredito que em breve poderemos oferecer também o MC-21. Numa primeira etapa nós podemos oferecer até cinco SSJ, com perspectiva de outras dez aeronaves".

    Sukhoi Superjet 100 é produzido pela empresa "Aviões civis Sukhoi" – seus acionistas são as empresas Sukhoi, da Rússia, e a italiana Alenia Aermacchi. A empresa foi fundada em 2000 para desenvolver novos modelos de aeronaves civis. O primeiro avião foi fornecido ao contratante em 2011. A companhia aérea Aeroflot é o maior cliente dessas aeronaves da Rússia. Mas os SSJ também são fornecidos ao México, Laos e Indonésia. A empresa egípcia Egypt Air planeja comprar até 24 unidades desse modelo – acordo que poderá ser anunciado até o final do ano. É possível que a China também comece a utilizar os SSJ-100. Em 2014 o volume total de pedidos confirmados dessa aeronave cresceu em 5,5%, somando 192 unidades. O preço de catálogo de cada avião é de 36 milhões de dólares.

    Não há dúvidas de que a estreita cooperação econômica entre a Rússia e o Irã, inclusive no âmbito da aviação civil, representa um fator importante para o fortalecimento das relações entre dois países, o que também representa uma base para a segurança e estabilidade na região.

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