01:46 19 Outubro 2017
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    Logotipo da 7ª cúpula dos BRICS, em Ufa, na Rússia
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    Embaixador brasileiro: Cúpula do BRICS solidificou relações comerciais Brasil-Rússia

    Opinião
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    Geórgia Cristhine
    BRICS: organização do futuro (189)
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    A 7.ª Cúpula do BRICS, realizada na semana passada em Ufá, na Rússia, confirmou a necessidade de aumentar a parceria comercial entre Brasil e Rússia. A avaliação é do embaixador brasileiro em Moscou, Antônio José Vallim Guerreiro, em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil.

    O Embaixador Antônio Guerreiro descreve a reunião privada entre a Presidenta Dilma Rousseff e o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, no âmbito da Cúpula do BRICS: “Foi uma conversa bastante longa. Foram discutidos vários assuntos da pauta bilateral nas áreas cultural, econômica e comercial. Os presidentes concordaram que há um potencial muito grande para aumentar o comércio entre os dois países. Afinal, nós somos grandes economias, e o nosso comércio tem tudo para chegar a US$ 10 bilhões em ambas as direções (no momento está em torno de US$ 6 bilhões). Foi uma conversa produtiva e bem positiva.”

    De acordo com o embaixador, o resultado da Cúpula está bem expresso na ampla Declaração de Ufá, em setores econômicos, políticos e comerciais, além de todas as questões relativas à governança global. Ele destaca a assinatura de acordos de parceria econômica entre os países-membros do bloco, um acordo de cooperação na área de cultura e um memorando de entendimento sobre a criação de um site conjunto dos BRICS.

    Antônio Guerreiro destaca ainda o lançamento do novo Banco de Desenvolvimento do BRICS, aprovado na 6.ª Cúpula do bloco, que aconteceu no ano passado, em Fortaleza. “É importante mencionar que agora se vislumbra o início da entrada em operação do novo Banco. E de acordos assinados pelas presidências do Banco Central e do BNDES, junto com os bancos nacionais de desenvolvimento dos outros países, de cooperação com o Novo Banco de Desenvolvimento do BRICS. Os Parlamentos dos 5 países ratificaram o estatuto do Novo Banco e do Arranjo Contingente de Reservas. Portanto, nós temos um horizonte temporal mais ou menos definido para que ambas as instituições possam passar a funcionar em termos concretos.”

    O Novo Banco de Desenvolvimento do BRICS vai ter sede em Xangai, na China. O primeiro presidente é um financista da Índia, e os demais membros dos BRICS terão vice-presidentes, com o Brasil sendo representado pelo economista Paulo Nogueira Batista Júnior, ex-diretor-executivo do FMI.

    Já quanto ao Acordo Contingente de Reservas, o Embaixador Antônio Guerreiro explica que ainda não foi pensada uma sede para o fundo emergencial dos membros do BRICS. “O assunto ainda não foi devidamente aprofundado. Não houve ainda uma definição quanto à necessidade de haver uma sede para o Contingente de Reservas. Havia uma ideia de sediá-lo no Rio de Janeiro, mas os indianos também gostariam de tê-lo lá. É um assunto que ainda vai continuar a ser discutido, ainda não há uma decisão quanto a haver uma sede, e, se houver, onde será. Mesmo porque esperemos que não seja necessária a utilização desse Arranjo Contingente de Reservas.”

    Durante a 7.ª Cúpula do BRICS, na Rússia, vários eventos paralelos de negócios foram realizados. Antônio Guerreiro destaca, por exemplo, o encontro entre os ministros da Agricultura do Brasil, Kátia Abreu, e da Rússia, Aleksandr Tkachev. No encontro, os dois países acertaram o restabelecimento da exportação de carnes brasileiras e de produtos lácteos do Brasil para os russos, e a importação de trigo e pescados da Rússia para os brasileiros. “Foi um entendimento entre os dois países. Agora cabe aos empresários propriamente ditos o fechamento dos negócios. O que existe é uma boa vontade de liberar de parte a parte a introdução desses produtos nos respectivos territórios. Eu espero que isso possa render frutos num futuro breve.”

    O Embaixador Antônio José Vallim Guerreiro destacou ainda as ações culturais entre Brasil e Rússia, após a realização, em 2014, do Ano do Brasil na Rússia, que contou com diversas manifestações. E, finalmente, o diplomata informa que em outubro deste ano as relações entre os dois países vão se estreitar de novo, com a realização do já tradicional Festival de Cinema Brasileiro em Moscou, o qual também deverá ser levado para São Petersburgo.

    Tema:
    BRICS: organização do futuro (189)
    Tags:
    relações internacionais, Banco de Desenvolvimento do BRICS, Arranjo Contingente de Reservas, BNDES, FMI, BRICS, Antônio Guerreiro, Alexander Tkachev, Kátia Abreu, Vladimir Putin, Dilma Rousseff, África do Sul, Índia, China, Rússia, Brasil
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