02:27 19 Agosto 2019
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    Rússia se prepara para receber, nos próximos dias 9 e 10, em Ufá, a sétima cúpula do BRICS

    Economista russo diz que Banco do BRICS já repercute positivamente na economia

    brics2015.ru/ Divulgação
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    BRICS: organização do futuro (189)
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    Nos dias 9 e 10 de julho será realizada em Ufa, na Rússia, a reunião de Cúpula dos BRICS e a reunião do Conselho dos Líderes de Países-Membros da Organização para a Cooperação de Xangai. Sobre esse assunto, a Sputnik conversou com o economista Viktor Ivanovich Grishin, reitor da Universidade de Economia da Rússia Plekhanov.

    Segundo o governo russo, "dentre as prioridades da presidência da Rússia na Organização para a Cooperação de Xangai (SCO), em 2014 e 2015, estão o lançamento de projetos econômicos multilaterais, principalmente nas áreas de transporte, energia, ciência, tecnologia e uso pacífico do espaço exterior; bem como a criação de um mecanismo ideal para seu apoio financeiro". Em particular, no dia 15 de maio de 2015, durante a sétima reunião dos ministros de Transporte dos países-membros da SCO, em Ufa, foram discutidas as perspectivas da cooperação nessa área e a formação de um sistema comum de transportes no bloco, com o uso do potencial da ferrovia Transiberiana e da Linha ferroviária Baikal-Amur.

    Sputnik: Que consequências traria a criação desse sistema comum de transportes para o Extremo Oriente e as regiões adjacentes à China e para os países da Ásia Central?

    Viktor Grishin: Sem dúvida isso irá reviver a atividade econômica nas regiões russas do Extremo Oriente e da Sibéria. O maior interesse da Rússia no âmbito do desenvolvimento de um sistema comum de transportes da SCO é a cooperação para a realização do programa do cinturão econômico da Rota da Seda, iniciado pela China. É aconselhável que a expansão de empreendimentos concretos nesta área seja iniciada após a discussão do desenvolvimento do sistema comum de transportes da SCO na reunião da organização em Ufa, nos dias 8 e 9 de julho.

    Junto a isso é necessário intensificar o trabalho de desenvolvimento de uma infraestrutura própria no Extremo Oriente, especialmente no que diz respeito à construção de pontes sobre os rios Amur e Ussuri. Nesse sentido, é preciso levar em conta o interesse da China na realização desses projetos, bem como a possibilidade e usar investimentos chineses para compensar a falta de recursos alocados para o desenvolvimento da infraestrutura do Extremo Oriente no orçamento da Rússia.

    S: Quanto ao desejo já manifestado pela Rússia de realizar um progresso palpável na reforma do sistema monetário e financeiro internacional, que reformas na atividade do FMI seriam desejáveis para os BRICS e a Rússia, em particular?

    VG: Aumento da influência dos países-membros do BRICS na tomada de decisões do FMI através do aumento da quantidade de votos no conselho do fundo. No entanto, a reforma do FMI como um todo, tida como uma das prioridades da presidência da Rússia no BRICS, responde em grande parte aos interesses da China, que busca aumentar o seu potencial de influência sobre as atividades do fundo. Ao mesmo tempo, apesar da escassez de recursos financeiros, a Rússia é capaz de apoiar a China nesse sentido.

    As previsões, no entanto, também devem levar em conta que os resultados do referendo do próximo dia 5, na Grécia, relativo à confiança no FMI e na União Europeia, podem trazer um impacto significativo sobre o funcionamento do fundo.

    S: Quais foram as consequências que o processo de criação do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD, Banco do BRICS) já trouxe para a economia da Rússia?

    VG: A criação do Banco já repercutiu de forma positiva sobre a economia da Rússia. No entanto, o funcionamento pleno das instituições financeiras do BRICS é aguardado somente para 2020. Atualmente, seria mais adequado falar nas expectativas positivas da sua atividade no futuro.

    Vale destacar que as oscilações que acompanharam o processo de tomada de decisões relativas ao Banco podem comprovar a falta de uma posição comum por parte do governo russo, tanto em relação a essa questão particular quanto à questão do desenvolvimento das relações com a China como um todo.

    S: O governo afirma que o Arranjo Contingente de Reservas, espécie de Fundo do BRICS, com volume inicial de US$ 100 bilhões, servirá como "um instrumento de apoio em caso de pressão a curto prazo sobre a balança comercial, bem como uma ferramenta preventiva em caso de problemas com a balança de pagamentos”. Em caso de pressão sobre a balança comercial da Rússia, por quanto tempo esse Fundo poderá servir de proteção?

    VG: O objetivo da criação de reservas financeiras pelos países do BRICS é de proteger as moedas nacionais da volatilidade dos mercados financeiros.

    O seu volume será de US$100 bilhões. Ele será usado como uma garantia em casos de emergência, tais como o não pagamento de dívida pelo mutuário. Para determinar o seu possível limite de prazo são necessárias informações sobre as condições de concessão dos empréstimos, bem como o montante de dinheiro e os juros pelos quais eles foram emitidos. Diante da falta dessas informações, fica muito difícil determinar um prazo concreto durante o qual o Fundo poderia “proteger” um país em caso de um jogo coordenado contra a sua moeda nacional em mercados financeiros internacionais. Mas, de qualquer forma, trata-se da formação de um mecanismo eficiente de seguro para essas situações.

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    Tags:
    Universidade de Economia da Rússia Plekhanov, cúpula dos BRICS, Banco dos BRICS, Organização para Cooperação de Xangai, Novo Banco de Desenvolvimento, FMI, BRICS, Viktor Grishin, Vladimir Putin, Amur, Extremo Oriente Russo, Ásia Central, Ufa, Lago Baikal, Sibéria, China, Rússia
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