22:31 19 Setembro 2019
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    A presidenta brasileira, Dilma Rousseff, em encontro com a diretora do FMI, Christine Lagarde

    Economista vê com preocupação a reaproximação exagerada do Brasil com o FMI

    © AFP 2019 / EVARISTO SA
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    Desde que assumiu o Ministério da Fazenda, neste segundo mandato da Presidenta Dilma Rousseff, Joaquim Levy tem cada vez mais aumentado a relação entre o Brasil e o FMI – Fundo Monetário Internacional. Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, Theotonio dos Santos, economista e especialista em BRICS, comenta essa “reaproximação exagerada”.

    Na segunda-feira (1), o Ministro Joaquim Levy se reuniu em Washington, pela terceira vez em três meses, com dirigentes do FMI, para mais uma vez tentar tranquilizá-los sobre os rumos da economia brasileira.

    O economista e especialista em BRICS, Theotonio dos Santos, diz não compreender por quê: “Se se trata, como ele [Joaquim Levy] diz, de ter boas relações com os donos da economia mundial, por que ter tanta confiança no FMI, já que a instituição vem fazendo previsões equivocadas há anos? Raramente o FMI consegue fazer alguma previsão correta sobre a evolução da economia mundial.” 

    Theotonio dos Santos também não vê vantagens econômicas em parcerias com o FMI. Ao aceitar o crédito do Fundo, o país praticamente renuncia À sua soberania, e passa a seguir os padrões de governança da organização. “Do ponto de vista de ajuda econômica, como todo mundo sabe, a ajuda deles [FMI] tem um custo muito alto, não só financeiro, mas também de imposições de políticas. Elas são ligadas a condições que são muito drásticas.”

    O economista explica que o Brasil não precisa, neste momento, pedir ajuda ao FMI, pois “temos cerca de US$ 400 bilhões de reservas”. O único problema citado pelo especialista é se a política do ministro da Fazenda fizer desaparecerem os recursos existentes, devido às altas taxas de juros com que o país se defronta atualmente. Além disso, “neste momento, há uma quantidade grande de investimentos estrangeiros no país, que estão recebendo esses juros altíssimos. Com isso, vão debilitando a economia brasileira gravemente.

    Theotonio dos Santos também vê com preocupação as declarações da diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, que vem aplaudindo as medidas econômicas que estão sendo feitas pelo Governo brasileiro. Lagarde disse que o ajuste fiscal está no rumo certo, e é o caminho para a recuperação da economia do Brasil. “Devíamos ficar preocupados com isso”, diz o economista, “porque nenhum país que foi ajudado pelo FMI teve melhorias significativas. Todos eles estiveram em situações dificílimas e continuaram nessas situações por muito tempo, com intervenções, no final, para poder controlar um pouco a situação da dívida.” Assim, o Professor Theotonio dos Santos concorda com a declaração dada em 2013, em Portugal, pelo ex-Presidente Lula, que disse que o “FMI nunca resolveu nenhum problema”. O economista continua lembrando a fala de Lula em Lisboa: “Segundo Lula, muitas vezes o FMI empresta dinheiro a um país, que ao receber o dinheiro paga a dívida de outros bancos, e o prejuízo fica com a parte pobre da população que trabalha. Sempre foi a assim e sempre será assim."

    Theotonio dos Santos diz concordar inteiramente com o que foi dito pelo ex-presidente e ressalta que toda a questão que envolve o FMI é política e não econômica. “Concordo totalmente com a afirmação dele. Lula não é economista, mas conhece bem a situação, e afirmou o que é verdade. A situação é essa mesma, porque no fundo se trata de um problema político e não realmente econômico. Trata-se de poderes que têm uma influência muito grande sobre a economia mundial e um poder realmente de decisão. O Brasil não pode aceitar ter uma posição no FMI se o FMI não aceitar que a participação do Brasil na gestão do Fundo aumente. Ao contrário, será como voltar a um passado economicamente terrível para o país.”

    A opinião do especialista pode não necessariamente coincidir com a da redação da Sputnik

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    Tags:
    FMI, BRICS, Theotonio dos Santos, Luiz Inácio Lula da Silva, Joaquim Levy, Christine Lagarde, Lisboa, Brasília, Portugal, Washington, Brasil
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