13:55 12 Dezembro 2017
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    Muçulmanos participando de uma oração em conjunto em Palermo, na Itália

    Muçulmanos brasileiros rezam pelas vítimas das guerras no mundo islâmico

    © AP Photo/ Alessandro Fucarini
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    Nesta sexta-feira, 29, os fiéis muçulmanos que vivem no Brasil estão fazendo suas orações pelas vítimas dos conflitos no Iraque, na Síria e em todo o Oriente Médio e África. Ali Houssein El-Zoghbi, vice-presidente da Fambras – Federação das Associações Muçulmanas do Brasil, falou com exclusividade à Sputnik.

    O líder religioso, que trabalha em São Paulo, comenta também por que os refugiados vindos do Oriente Médio escolhem o Brasil como seu destino. A seguir, a entrevista. 

     

    Sputnik: De quem é essa iniciativa de concentrar as orações da sexta-feira nos fiéis vitimados nas zonas conflagradas?

    Ali Houssein El-Zoghbi: Há um movimento conjunto por parte de todas as autoridades religiosas muçulmanas, incentivando a unificação de um discurso em busca da paz e da valorização da vida e contrário a todas as atrocidades que temos visto no mundo. Então, nesta sexta-feira estamos fazendo as orações voltadas para as trágicas mortes que acontecem – de muçulmanos ou não – nesses conflitos, principalmente no Oriente Médio.”

    S: Os muçulmanos que vivem no Brasil prestam ajuda humanitária aos fiéis do Islã que vivem em zonas conflagradas de outros países?

    AHEZ: Há uma prática islâmica de se prestar auxílio a toda e qualquer pessoa – muçulmana ou não –, a pessoas sem lar, refugiadas. Temos recebido um fluxo muito grande de muçulmanos, vindos da região da Síria e do Iraque. Eles são atendidos por diversas entidades, como uma instituição aqui do Bairro do Brás, em São Paulo, entidades que têm concentrado seus esforços no amparo assistencial, de moradia e alimentação, alocando os refugiados, fazendo uma triagem para que possam trabalhar e superar seus traumas físicos e psicológicos.

    S: O representante no Brasil do ACNUR – Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados confirmou que tem sido da Síria o maior número de refugiados vindos para o nosso país. 

    AHEZ: É um fato. Trata-se de uma catástrofe humana. Sabemos das dificuldades desses refugiados, inclusive com problemas de saúde, com questões básicas de sobrevivência. Temos um diálogo com o Comissariado da ONU, no sentido de fazer um vínculo e trabalhar em conjunto.

    S: Os refugiados vindos do Oriente Médio e da África encontram abrigo e segurança em território brasileiro?

    AHEZ: O processo ainda é relativamente desordenado, por conta da quantidade elevada de refugiados, mas já há uma política pública para organizar o quadro. 

    S: Por que esses refugiados escolhem o Brasil como seu destino?

    AHEZ: Na segunda metade do século 20 houve um grande afluxo de muçulmanos para o Brasil, e, na primeira metade daquele século, a chegada de sírios e libaneses, não muçulmanos. Então, há uma visão já consolidada naqueles países, de que os brasileiros são um povo amigo, de que o Brasil é um local onde as questões do preconceito são tratadas com rigor. Tudo isso leva a essa escolha.

     

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    Tags:
    muçulmanos, imigração, refugiados, Fambras, Acnur, Sputnik, ONU, Ali Houssein El-Zoghbi, Oriente Médio, África, Iraque, São Paulo, Síria, Brasil
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