14:10 20 Outubro 2018
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    Delegados dos BRICS em cerimônia de assinatura do acordo de criação do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), em 15 de julho de 2014, na cidade brasileira de Fortaleza

    Economista atribui evasão de recursos dos BRICS ao pagamento de juros da dívida externa

    © AFP 2018 / YASUYOSHI CHIBA
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    BRICS: organização do futuro (189)
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    Durante o encontro de representantes dos BRICS para assuntos de segurança, em Moscou, o secretário-executivo do Conselho de Segurança da Federação Russa, Nikolai Patrushev, acusou as instituições financeiras do Ocidente de promover a saída de mais de US$ 3,5 trilhões dos BRICS nos últimos 10 anos. O economista Theotônio dos Santos comentou.

    O Secretário Nikolai Patrushev declarou: "O Ocidente usa cada vez mais as instituições financeiras internacionais como instrumento de pressão. Nos últimos 10 anos, a saída de capital das economias dos BRICS foi igual a pelo menos US$ 3,5 trilhões. Mais da metade deste montante saiu durante os últimos três anos."

    Para o economista Theotônio dos Santos, professor da UERJ – Universidade Estadual do Rio de Janeiro, este montante se refere ao pagamento dos juros da dívida externa dos países BRICS. 

    “Ao emprestar dinheiro para países fortemente endividados”, comentou o Prof. Santos, “as grandes corporações internacionais do Ocidente estabelecem sistemas de pagamento draconianos, o que consome boa parte de suas riquezas. Daí, os valores apontados pelo Secretário Patrushev. São pagamentos em volumes gigantes, os quais os países não podem se negar a honrar, diante das imposições demonstradas pelas instituições credoras.”

    Segundo Nikolai Patrushev, os BRICS são capazes de opor algo à infraestrutura financeira internacional vigente, tendo o FMI – Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial como seus pilares. A opção do grupo integrado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul é dupla: a sua proposta inclui o Novo Banco de Desenvolvimento e o Arranjo Contingente de Reservas, instituições destinadas a ajudar os países emergentes. O secretário do Conselho de Segurança da Rússia destacou ainda o crescente papel dos BRICS como um grupo internacional com grande potencial.

    Para o Professor Theotônio dos Santos, Patrushev está coberto de razão: “Concordo inteiramente com os argumentos do Secretário Patrushev. Vejam o exemplo da China, que investiu em Fundo Soberano, fortaleceu as suas instituições financeiras e demonstrou forças suficientes para atrair o interesse de outros países em investir e acreditar nestas instituições. É isso o que os países BRICS devem fazer, fortalecer a si mesmos e as duas instituições que estão criando, o Novo Banco de Desenvolvimento e o Acordo Contingente de Reservas.”

     

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    Tags:
    economia, UERJ, Arranjo Contingente de Reservas, Banco Mundial, Novo Banco de Desenvolvimento, FMI, BRICS, Theotonio dos Santos, Nikolai Patrushev, África do Sul, Índia, China, Rússia, Brasil
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