19:47 22 Setembro 2019
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    Operação Vulcão, realizada pelo Exército, destruiu 100 mil armas em todo o país

    100 mil armas destruídas: uma gota no mar de violência no Brasil

    G.Dettmar/Agência CNJ/Fotos Públicas
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    A destruição de 100 mil armas apreendidas, realizada pelo Exército na Operação Vulcão, é uma ação importante de segurança pública, mas representa ainda muito pouco face à quantidade que entra no país pela fronteira seca do Brasil através de vizinhos como Paraguai e Bolívia.

    A análise é do coronel Fernando Belo, presidente da Associação de Oficiais Militares Estaduais do Rio de Janeiro. Em entrevista à Sputnik Brasil, Belo também critica a filosofia da polícia de combate ao crime. Em sua opinião, em lugar de equipar os efetivos com armamentos cada vez mais pesados — o que é respondido pela criminalidade da mesma forma —, as forças de segurança deveriam se empenhar mais em desarmar os marginais.

    "Essa política, porém, é complicada e muito difícil, porque temos uma fronteira seca com milhares de quilômetros e fica difícil, seja para as Forças Armadas ou para as forças auxiliares, pela área a ser patrulhada. Essas armas entram hoje nos morros em partes, e lá dentro técnicos as remontam", diz o coronel.

    A destruição das 100 mil armas na Operação Vulcão foi possível com a assinatura de um acordo de cooperação técnica firmado pelo Exército com o Conselho Nacional de Justiça em novembro. Em um mês, as armas foram recolhidas dos diversos fóruns espalhados pelo Brasil e enviadas às 12 regiões militares para serem destruídas. De janeiro a outubro, o Exército já havia destruído cerca de 170 mil outras ilegais.

    O secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, em encontro com o presidente do Senado, Renan Calheiros, em Brasília
    Antonio Cruz/ Agência Brasil

    Diversos analistas de segurança questionam o fato de que apenas 100 desses armamentos foram doados aos órgãos de segurança para serem reaproveitados.  Isso se deve ao fato de que, pelo Decreto 8.938/2016, apenas armas longas e metralhadoras apreendidas podem ser doadas. Outra razão é o fato de que grande parte desse armamento se encontrava em más condições de conservação, tornando seu reuso arriscado.

    Para o coronel Fernando Belo, ao lado do crescimento do mercado de armas, há um outro elemento preocupante, este ligado à política.

    "É a arma da corrupção. Temos que desarmar os marginais sim, mas desarmar sobretudo os marginais políticos, estaduais, municipais e da União. Cabe a nós agora, que temos eleição no ano que vem, saber em quem votar. O problema é saber as figuras que devem ser eleitas", afirma Belo.

    O presidente da Associação de Oficiais Militares Estaduais do Rio de Janeiro diz não ser contra a uma revisão no Estatuto do Desarmamento, como defende parte da bancada no Congresso, propondo uma liberação do porte de armas para todo o cidadão que cumprir requisitos técnicos, psicológicos e com bons antecedentes. 

    "Temos duas situações antagônicas. Uma é a dos Estados Unidos, onde qualquer pessoa pode comprar quantas armas quiser. Acho uma liberalização irresponsável. A outra situação é a nossa. É claro que não se quer no Brasil que todo mundo tenha uma arma, mas existem certas situações. Não vejo nenhum problema, embora eu particularmente não ande armado. A possibilidade de usar uma arma para se defender é praticamente zero. Isso não significa que não quero que as pessoas não tenham arma. Isso deve ser um direito do cidadão, um direito universal, mas com responsabilidade. E essa responsabilidade começa no cadastramento de quem quer ter uma arma", diz o coronel.

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    Tags:
    política, eleições 2018, fronteiras, armamento, violência, sociedade, Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Congresso, Exército, Associação de Oficiais Militares Estaduais do Rio de Janeiro (AME-RJ), Fernando Belo, Brasil
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