14:31 19 Setembro 2019
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    México é o sétimo maior mercado para as exportações brasileiras

    Brasil e México: uma queda de braço que pode ter dois perdedores

    Pedro Pardo/AFP
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    Brasil e México estão negociando, em Brasília, uma possível ampliação do acordo comercial. Há entraves, porém, que impedem um consenso. Os mexicanos querem maior abertura do Brasil para venda de seu agronegócio, enquanto a indústria brasileira se queixa de não receber nenhuma vantagem tarifária nas suas exportações.

    Um acordo de livre comércio entre os dois países, segundo cálculos da Confederação Nacional da Indústria (CNI), poderia aumentar os embarques brasileiros em até 40%. No ano passado, o Brasil exportou para o México US$ 3,8 bilhões, cerca de 45% de produtos automotivos graças ao acordo automotivo firmado entre ambos que começou a vigorar em 2015 e que termina em 2019, podendo ser renovado.

    O fechamento desse acordo ajudaria também o Brasil a recuperar parte da fatia de comércio que vem perdendo no México nos últimos anos. Apesar de o país ser o sétimo maior importador do Brasil, a participação de produtos brasileiros importados pelo país caribenho passou de 2,4% em 2005 para 1,2% em 2016.

    Juliana Inhasz, professora de Economia da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), chama a atenção para a importância da ampliação das trocas do Brasil com o México, principalmente agora que o Nafta — acordo de livre comércio entre Canadá, Estados Unidos e México — vem sendo duramente questionado pelo presidente Donald Trump.

    "Ambas as economias ainda estão precisando resolver alguns problemas domésticos. Os acordos não estão avançando porque todo acordo implica que toda economia acabe cedendo um pouco para a outra economia. Fica muito difícil fechar um acordo quando os dois lados precisam, até o final deste ano e começo do ano que vem, que suas economias tomem mais fôlego", diz a professora.

    Com relação à revisão do Nafta, Juliana diz que este é o momento de os países buscarem acordos na região, uma vez que tanto Brasil quanto México podem perder muito com a nova política protecionista americana. Segundo ela, no caso da economia mexicana, essa busca é ainda mais estratégica, até para aumentar sua influência na América Latina. 

    "É justamente por isso que os acordos emperram tanto, porque o México precisa garantir um espaço maior dentro desse espaço latino-americano para conseguir rever esse efeito (revisão do Nafta)." A professora da FECAP observa também que, por suas próprias características, as economias de Brasil e México não são tão abertas como poderiam ser.

    "Temos algumas regras, alguns protecionismos e tarifas que fazem com que as economias não sejam tão abertas. Nossa dificuldade de fechar um acordo com o México hoje é porque os dois lados têm ainda um grau de abertura econômica bem discreto. É justamente porque somos muito parecidos que estamos hoje colhendo todos esses conflitos. Acaba sendo uma queda de braço em que todos nós podemos sair perdendo. As duas economias poderiam ganhar se tivéssemos uma cooperação mútua e os dois lados cedessem um pouco para o acordo", finaliza Juliana. 

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    Tags:
    montadoras, indústria, agronegócio, tarifas, protecionismo, comércio exterior, Confederação Nacional da Indústria (CNI), Nafta, Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), Donald Trump, Juliana Inhasz, América Latina
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