22:11 20 Novembro 2019
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    Expectativa de centrais é de adesão de 40 milhões de trabalhadores

    Centrais sindicais intensificam articulações para a greve geral de sexta-feira

    Lula Marques/AGPT/Fotos Públicas
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    A greve geral marcada para a próxima sexta-feira, 30, não é só pela luta de eleições diretas já e pela saída do presidente Michel Temer, mas, principalmente, para barrar as reformas trabalhista e previdenciária, que representam um retrocesso de décadas em relação às conquistas de direitos.

    A opinião é de Mauro Puerto, da executiva nacional da CSP-Conlutas, que espera uma adesão de pelo menos 40 milhões de pessoas à paralisação. Em entrevista à Sputnik, Puerto diz que várias categorias já confirmaram a adesão à greve, como metalúrgicos, bancários, petroleiros e boa parte dos sindicatos ligados ao transporte urbano.

    "Os trabalhadores estão tendo seus direitos atacados violentamente por esse governo, um retrocesso dos direitos trabalhistas que vai para um período pré-Getúlio. Isso não é uma reforma. Reforma é uma palavra de sentido positivo, isso é uma demolição dos direitos, da aposentadoria e só está servindo aos interesses do grande capital, daqueles que lucram muito e querem jogar a crise nas costas da classe trabalhadora. Esse é um governo e um Congresso que não têm legitimidade para fazer isso, um Congresso com um monte de denúncias de corrupção sobre grande parte dos deputados. O Brasil  inteiro está assistindo a elementos de prova", diz o sindicalista.

    Para o integrante da CSP-Conlutas, não resta outra alternativa que não a greve geral na sexta-feira. Segundo ele, o governo insiste em não reconhecer o descontentamento da população e continua agindo com truculência contras as manifestações, como ocorreu em 24 de maio, quando até as Forças Armadas foram convocadas em Brasília. 

    "A aprovação do governo Temer é ridícula (7%, segundo a última pesquisa DataFolha, só superior aos 5% de aprovação do presidente José Sarney, há 28 anos). A tendência é baixar mais, ele deve bater o recorde histórico do Sarney, que se deu por ocasião de uma hiperinflação que havia no Brasil, à época. É um governo cara de pau. O ataque que ele faz à greve geral, para dizer que é um movimento de centrais e não é da população, uma cara de pau similar como a que ele tenta agora atacar a Procuradoria Geral da República e dizer que é um problema pessoal do procurador geral contra ele."

    Puerto considera normal que a proposta de uma greve geral tenha respostas diferentes de adesão conforme as categorias de trabalhadores. As mais organizadas, segundo ele, como metalúrgicos, petroleiros, bancários, professores, são historicamente mais fortes em termos de mobilização, enquanto em outras, como no comércio, a adesão é menor em função das represálias dos empregadores. Por isso, ele defende a importância da paralisação dos trabalhadores da área de transporte, que podem dar subsídios a essas categorias mais fragilizadas de aderir à paralisação. 

    O integrante da CSP-Conlutas faz um balanço das paralisações já confirmadas até agora no setor de transporte: o sindicato no Ceará, os metroviários de São Paulo fazem nova assembleia, para ratificar ou não a decisão de parar, tomada na última reunião, em Porto Alegre também já foi confirmada a paralisação.

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    Tags:
    retrocessos, governo, legitimidade, direitos, manifestações, sociedade, Forças Armadas, Procuradoria Geral da República, Congresso, CSP-Conlutas, José Sarney, Mauro Puerto, Michel Temer, Brasil
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