10:58 21 Setembro 2017
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    CPI terá 90 dias prorrogáveis para apresentar resultados

    Petrobras vai ter exploração a fundo. E não é em petróleo

    © AFP 2017/ Yasuyoshi Chiba
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    A Federação Única dos Petroleiros (FUP) aplaude a decisão da Assembleia do Rio de Janeiro (Alerj) de abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o desmonte da Petrobras e a venda de ativos depois da assunção de Pedro Parente à presidência da empresa, e defende que as investigações devam ser feitas também a nível nacional.

    A criação da CPI, anunciada na quinta-feira (22), terá 90 dias para concluir os trabalhos, prorrogáveis por mais 60 dias. O deputado Paulo Ramos (Psol), que vai presidir a comissão, diz que o objetivo é apurar se a venda de ativos da estatal preenche as normas legais e atende aos interesses econômicos do estado. "O Estado do Rio tem na Petrobras uma presença determinante para sua economia e, depois de tudo o que aconteceu com a Operação Lava Jato e o que ainda está acontecendo, vemos que a decisão da diretoria da empresa se destina ao desmonte completo com a venda de ativos."

    O diretor da FUP Gerson Castellano concorda com o parlamentar fluminense, e diz que o objetivo é, a partir dos trabalhos no Rio, mobilizar categoria e sociedade para levar essa investigação a nível federal.

    "Esse governo instalado tem um projeto claro: destruir a Petrobras, vender ativos a preços irrisórios, destruir todo o sistema integrado que hoje tem a Petrobras, que é do posto ao poste. Esse processo está muito alinhado com interesses internacionais. Ontem (quinta-feira), o Temer esteve lá na Noruega falando com o pessoal da Statoil, que está pegando muitos ativos nossos. Tudo isso também está alinhado com o processo de reduzir a carga das refinarias. A gente está produzindo menos petróleo, exportando óleo cru e importando gasolina. Nunca vi isso antes num país que tem óleo e refinarias suficientes, mandando dólar para fora, reduzindo empregos aqui", diz o diretor da FUP, ressaltando que a Petrobras é muito mais do que refinarias e postos, com conteúdo nacional em máquinas e equipamentos.

    "Esse é um processo de desmonte criminoso que está sendo feito pela gestão de Pedro Parente e que vai ficar para os anais da história como o maior crime de lesa pátria da nação. Vai ser mais grave do que a venda da própria Vasp em 1997. Esse processo de investigação no Rio de Janeiro precisa ser ampliado. Infelizmente a gente sabe que vai ter dificuldade, porque o golpe instalado teve o apoio parlamentar, mas a gente espera que a sociedade veja isso e que a empresa entenda que precisa haver uma mobilização para impedir que o desmonte de todo o sistema Petrobras ocorra."

    O diretor da FUP alerta ainda que a redução das atividades nas refinarias está colocando em risconão só  trabalhadores e instalações como as populações nas cercanias dessas unidades.

    "Há risco de ter acidentes graves que podem explodir refinarias pelo fato de estarem reduzindo efetivos. A FUP está indo atrás de vários órgãos. Fomos ao ministério (Minas e Energia) esta semana e estamos fazendo uma série de ações nacionais e internacionais", diz Castellano.

    Com relação à CPI da Alerj, o primeiro depoimento já está marcado. Será o do vice-presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), Fernando Siqueira, que vai depor na próxima quinta-feira (20), às 13 horas, no Palácio Tiradentes. 

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    desnacionalização, refinarias, ativos, Poder Legislativo, estrangeiros, CPI, Statoil, Aepet, ALERJ, Congresso, PSOL, Petrobras, Paulo Ramos, Gerson Castellano, Fernando Siqueira, Pedro Parente, Michel Temer, Brasil
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