16:41 12 Dezembro 2019
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    Cristina Kirchner é aclamada durante comício em Buenos Aires

    Cristina Kirchner: um retorno ao melhor estilo do tango

    © AFP 2019 / Eitan Abramovich
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    A candidatura de Cristina Kirchner a uma vaga no Senado, nas próximas eleições legislativas de 22 de outubro, consolida a fratura do peronismo na Argentina, embora a ex-presidente tenha boas chances de conquistar uma cadeira. A avaliação é de Eduardo Crespo, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.

    Cristina vai disputar o pleito por uma nova aliança partidária, a Unidade Cidadã, que deixa de fora o Partido Justicialista, legenda oficial do peronismo, embora reúna também alguns simpatizantes dessa corrente política. Ela vai disputar a eleição com os peronistas Florencio Randazzo (Partido Justicialista), seu ex-ministro de Transportes, e Sérgio Massa (Frente Renovadora), ex-candidato à presidência, ocupada por Maurício Macri, que assumiu o cargo em dezembro de 2015.

    Ovacionada em um grande ato no estádio de Avellaneda, província de Buenos Aires, que reuniu 35 mil pessoas, Cristina discursou por mais de uma hora e fez duras críticas à política econômica de Macri, acusando o presidente de ter retirado subsídios das tarifas públicas, como gás, combustível e energia, com cortes que chegaram a 700% em alguns casos, o que elevou a inflação, hoje na casa dos 40%. A ex-presidente também atribuiu a Macri o aumento da miséria no país devido ao corte de bolsas de estudo, aumento do preço dos remédios e também por reduzir penas de militares envolvidos na repressão durante a ditadura militar (1976-1983).

    "O que está se olhando nesse momento na Argentina é uma divisão bastante grande do peronismo. Já com Massa havia divisão que agora se aprofunda com um sistema de eleição aberta. Os setores de Cristina não queriam concorrer com ele (Massa). Como o Randazzo também não quis sair da disputa, ela abriu um novo partido. Estamos sentindo uma nova fratura dentro do peronismo. Acho que, se ela vai concorrer, ela ganha. Tem que ganhar. Seria uma catástrofe para todo o setor político dela. O setor dela deve alcançar trinta e pouco por cento dos votos. A eleição deve ser dividida em três terços: um para o setor de Macri, um terço para ela e um terço para o resto", opina Crespo.

    O professor da UFRJ arrisca a dizer que, pelas pesquisas de intenção de voto, na província de Buenos Aires, ela sairia em primeiro. Segundo Crespo, Cristina tem um percentual de voto importante, pessoal, não do peronismo. "Ela tem um terço dos votos, mas acredito que muito mais do que isso ela não vai conseguir. Não é uma candidata com uma imagem positiva muito alta."

    A multidão que compareceu ao estádio de Avellaneda pode ser um exemplo da dificuldade que os candidatos de Cristina terão no pleito de 22 de outubro. Cada fala, cada crítica ao governo Macri era respondida pela multidão com gritos de "vamos a volver" (vamos voltar) e "Cristina Senadora". Com um vestido azul adornado apenas por um broche, a ex-presidente se mostrou visivelmente emocionada em alguns momentos, como no que que disse: Não me interessa ganhar eleições, mas que os argentinos voltem a poder planejar suas vidas".

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    Tags:
    inflação, empobrecimento, divisão, peronismo, Senado Federal, eleições, UFRJ, Eduardo Crespo, Sérgio Massa, Florencio Ranzazzo, Maurício Macri, Cristina Kirchner, Argentina
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