11:12 24 Agosto 2019
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    Funerais em Chapecó: 'Temos que fazer valer a pena a vida dos que se foram'

    Ralph Quevedo/ Sentinela24h
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    Queda do avião com Chapecoense (73)
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    A atmosfera em Chapecó é de consternação na véspera da realização dos funerais das vítimas da tragédia da Chapecoense. "Mas, ao mesmo tempo, a cidade está fortemente impressionada com a enorme corrente de solidariedade mundial", segundo a chapecoense Débora Pelisser.

    Em entrevista à Sputnik, a consultora em administração de empresas Débora Pelisser fala sobre a situação que sua cidade está vivendo desde que tomou conhecimento da tragédia da madrugada da terça-feira, 29. Naquele dia, o avião que transportava a delegação do time da Chapecoense e os jornalistas que iriam cobrir a primeira partida do clube catarinense com o Atlético Nacional, da Colômbia, caiu na região montanhosa de Medellín, matando 71 das 77 pessoas que estavam a bordo.

    Pessoa muito bem relacionada na cidade e sobrinha-neta do comerciante Alvadir Pelisser, um dos fundadores da Associação Chapecoense de Futebol, Debora Pelisser conta como está Chapecó na véspera de receber os corpos das vítimas da tragédia, cujo velório coletivo será realizado no campo da Chapecoense a partir da manhã deste sábado, 3.

    "Nós temos um sentimento plural aqui", diz Débora. "Num primeiro momento, a negação a isso tudo. Inevitavelmente todos, absolutamente todos entramos no drama da não aceitação porque Chapecó é uma cidade pequena, tem 200 mil habitantes, todos se conhecem. Então, antes de clube, de título, tem um efeito amigo, efeito colega, aquela pessoa que tu estudou junto, que tu almoça junto, que tu compartilha parte da tua vida junto, essa pessoa não está mais. Existe um sentimento profundo de tristeza pela perda dos quais a gente tem uma vida em comum, uma vida junto. Existe um sentimento de tristeza pelos que aqui ficaram, dezenas de famílias desamparadas, pois são empresários que se foram. E jogadores que estão aqui, que muitos resolveram investir em Chapecó enquanto cidade, famílias, enfim…"

    Débora Pelisser continua, emocionada:

    "São dois processos bem diferentes, no entanto ambos bem dolorosos: reconstruir as famílias que aqui ficaram, como olhar para elas e o que poder fazer a respeito disso, e reconstruir o clube também, porque, como falei, é um momento que estamos todos vivendo, ainda, da negação."

    Sobre os funerais, marcados para este sábado, Débora Pelisser afirma:

    "Acredito que amanhã, com a chegada dos corpos, vai ser o grande choque, quando vamos colocar os pés no chão e perceber que realmente essa fase se foi e a cidade, as pessoas, as famílias, o clube, o estado pedem uma resposta a isso. Conseguimos perceber que foi uma tragédia indescritível, mas, por outro lado, conseguimos ver também, de uma forma única, nos corações de centenas de milhares de pessoas, um sentimento incrível, que é o sentimento do amor através da solidariedade. Eu não consigo lembrar quando foi que isso aconteceu na história do mundo, onde, ao mesmo tempo, não tem dois lados, é um lado só onde todo o mundo está e um sentimento só que todo o mundo tem, que é estar solidário a isso mas gerar movimento com isso – ‘estou sofrendo com essa dor mas o que eu posso fazer para tentar ajudar?’ É difícil, vivendo esse drama todo, que é um grande drama, vivendo essa dor toda, que é uma grande dor, tentar sair um pouco disso e tentar encontrar uma forma de justificar, ou de fazer valer a pena, a vida desses que se foram."

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    Tags:
    tragédia, velório, solidariedade, acidente aéreo, desastre, Chapecoense, Medellín, Santa Catarina, Chapecó, Colômbia, Brasil
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