05:44 18 Agosto 2017
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    Stand da Odebrecht na LADD 2015

    'Fazer política no Brasil virou atividade de risco'

    VANDERLEI ALMEIDA / AFP
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    Cerca de 80 executivos do grupo empresarial Odebrecht estão concluindo com os procuradores do Ministério Público Federal as tratativas para celebração de acordos de delação premiada. Tais acordos provocam inquietação na classe política devido às revelações que os executivos poderão fazer sobre financiamentos de campanhas.

    Para o Senador Cristovam Buarque (PPS-DF), há mais do que motivos para os políticos estarem preocupados com as declarações dos diretores do grupo Odebrecht:

    "Tendo em vista a forma como as campanhas políticas vêm sendo feitas no Brasil, tendo em vista que, durante as campanhas muitos parlamentares perdem até o controle de como são feitos os financiamentos, eu creio que há motivos, sim, para os políticos estarem preocupados. E não é para menos. Fazer política hoje no Brasil é exercer atividade de alto risco."

    Para o senador do PPS brasiliense, o elevado custo das campanhas políticas contribuiu para este quadro de alegado descontrole:

    "As campanhas políticas no Brasil estão cada vez mais caras, e isso leva muitos candidatos a perder o controle sobre a forma como os recursos são arrecadados. Daí este clima generalizado de apreensão."

    Segundo especulações na mídia, o atual presidente da República, Michel Temer, do PMDB, e seus dois antecessores, Dilma Rousseff e Lula, ambos do PT, também estariam fortemente preocupados com o que podem vir a revelar os executivos da Odebrecht. Para o Senador Cristovam Buarque, haveria fundamento nestas possíveis preocupações:

    "Eu não sei como foram feitas as campanhas destes presidentes, não sei como controlaram o ingresso de recursos. O que sei é que motivos para preocupação existem. Tudo virou uma grande caixa preta."

    O parlamentar concorda que as revelações dos executivos da Odebrecht podem provocar uma explosão política no Brasil:

    "Eu creio até que esta explosão já aconteceu. Agora nós estamos administrando as suas consequências, que não são poucas. Mas, no fim, eu vejo tudo isso como muito positivo. A sociedade está convencendo a classe política de que é preciso transparência em seus atos e que até mesmo candidatos e políticos que se julgam acima dos fatos poderão ser surpreendidos."  

    Tags:
    caixa dois, campanha eleitoral, delação premiada, corrupção, PPS, PMDB, Odebrecht, PT, Lula, Dilma Rousseff, Michel Temer, Cristovam Buarque, Brasil
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