11:32 25 Julho 2017
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    Manifestação na Avenida Paulista em São Paulo

    Cresce a onda emancipacionista

    Rovena Rosa/ Agência Brasil
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    Expandem-se pelo país movimentos emancipacionistas de unidades federativas, mesmo com seus coordenadores cientes de que o Artigo 1.º da Constituição Federal de 1988 assegura que "a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados, Municípios e Distrito Federal".

    O emancipacionismo começou pelos três Estados da Região Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), no Movimento O Sul É o Meu País. Na semana passada, a onda emancipacionista ganhou corpo com a fundação da Aliança Nacional pelo Professor Flávio Rebello, responsável pelo Movimento São Paulo Livre, e com as adesões de outros Estados, como Rio de Janeiro (O Rio É o Meu País), Pernambuco (Grupo de Estudo e Avaliação Pernambuco Independente, GEAPI), Roraima (Roraima É o Meu País) e Espírito Santo (Espírito Santo É o Meu País). Existe ainda a perspectiva de adesão à Aliança Nacional de movimentos separatistas de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Amazonas, Tocantins e Ceará.

    Sputnik Brasil conversou com o presidente do Movimento O Rio É o Meu País, o pedagogo e professor de História do Brasil Gabriel Tavares. Ele explica que o Movimento surgiu em 2013, quando o Estado do Rio de Janeiro começou a sofrer perdas com a nova política de distribuição dos royalties do petróleo. Tavares também faz questão de frisar que a sua iniciativa de emancipação do Estado do Rio não faz qualquer concessão ao uso de violência:

    "Antes de mais nada, eu quero frisar que nosso Movimento é pacífico, que ele não faz qualquer pregação em torno de pegar em armas. Nós não queremos fazer revolução, nada deste tipo. A revolução que nós defendemos é de ideias. Nós queremos é fomentar esta ideia emancipacionista entre o povo do Estado do Rio, e penso que se toda a população do Estado for favorável à independência não vai ter cláusula pétrea da Constituição que nos impeça de alcançar nosso objetivo."

    Gabriel Tavares lembra, em sua entrevista, a situação de penúria do Estado, e questiona:

    "E por que estamos nesta situação? Porque, só em impostos, o Estado do Rio paga à União mais de R$ 200 bilhões por ano. E o que recebe em troca? Apenas 10% deste valor."

    Afirmando que a onda emancipacionista que vai se espalhando pelo país defende a ideia de que cada Estado brasileiro deve ser independente, Gabriel Tavares explica como se dá a ligação do Movimento O Rio É o Meu País com a Aliança Nacional, de Flávio Rebello:

     

    "A Aliança Nacional é um projeto de partido político nacional para o qual o Professor Flávio Rebello nos convidou, assim como convidou movimentos de outros Estados. Convidou inclusive o Movimento O Sul É o Meu País, que não aceitou. O nosso objetivo é ter uma representatividade política."

    Ainda segundo Gabriel Tavares, o nome do eventual novo país que seria formado a partir da emancipação do Estado fluminense já está escolhido: República do Rio de Janeiro.

    "O Movimento O Rio É o Meu País é uma organização suprapartidária, plural, que defende a independência política do Estado do Rio de Janeiro, pretendendo ser o representante da população fluminense que apoia essa ideia", acrescenta Gabriel Tavares. "Seu objetivo é difundir essa ideia ante a população fluminense e defender a criação da República do Rio de Janeiro, sempre no marco da legalidade e utilizando meios pacíficos. Defendemos a realização de um plebiscito entre a população fluminense, no qual ela determinaria se o Estado do Rio de Janeiro deve permanecer como Estado-vassalo do Brasil ou se deve constituir uma nação independente e soberana."

    Tags:
    royalties, separatismo, crise econômica, impostos, emancipação, Ceará, Espírito Santo, Roraima, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro, Brasil
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