23:42 22 Janeiro 2020
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    Apesar do discurso do governo sobre as vantagens da globalização e das tentativas de atração de capital externo, pesquisa do Banco Mundial (Bird), relativa a 2015, traz um dado preocupante: em termos de abertura comercial, o Brasil só está na frente da Nigéria e do Sudão.

    O levantamento do Bird foi feito com uma base de comparação entre 188 países, com uma metodologia que toma como base a soma de exportações e importações em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Por esse parâmetro, o Brasil tem índice de abertura de 20,84%, bem abaixo da média mundial de 45,19%. Entre o fim dos anos 90 até a crise global de 2008, o Bird mostra que houve um forte crescimento do comércio mundial, mas o Brasil não soube tirar partido desse período.

    Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, José Meireles, integrante da Associação Brasileira de Consultores de Comércio Exterior (Abracomex) mostra as razões de o Brasil estar tão mal posicionado nesse ranking, e o que é preciso ser feito para reverter a situação. Segundo ele, a metodologia é correta, e se adequa à realidade atual em termos de comércio exterior, isso porque a relação entre a soma de exportações e importações em relação ao que um país produz é um elemento bem significativo do estado de evolução e da capacidade de se desenvolver, pois estará mais integrado no mundo.

    "O que tem ocorrido em relação ao Brasil desde os anos 90 é que o país não tem sabido aproveitar as oportunidades que se apresentaram nos mercados internacionais, e o grande motivo tem sido um foco muito grande nas commodities, relacionadas às exportações de produtos básicos e um certo descaso em relação a políticas de desenvolvimento industrial."

    Segundo Meireles, o Brasil tem se deixado explorar por grandes empresas estrangeiras e não tem conseguido atingir uma maioridade na comercialização de seus produtos no exterior. Ainda se está longe de alcançar um patamar a que o país teria direito, por estar entre as nove maiores economias do mundo e o quinto em população mundial. Ele observa que o Brasil tem hoje uma corrente de comércio que não chega a 1,2% de participação no comércio mundial. Além disso, ele cita a falta de cultura de empresas e empresários que permita conquistar o mundo para os nossos mercados.

    Não só esse acordo está emperrado. Desde os anos 90, o Brasil não só não conseguiu levar adiante um acordo comercial significativo, como perdeu outros, como com alguns na Europa e com o Canadá. O Mercosul está cada vez mais afastado do comércio mundial, enquanto outros progridem, como é o caso do entre Estados Unidos e União Europeia. O Brasil não está presente nesses acordos, que são muito mais importantes, o que nos faz ficar cada vez mais afastados.

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    Tags:
    política industrial, commodities, competitividade, comércio exterior, BIRD, Abracomex, União Europeia, Mercosul, José Meireles, Mundo, Brasil
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