02:59 22 Setembro 2018
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    Bancos fazem jogo duro: reajuste só abaixo da inflação

    Elza Fiúz/Agência Brasil
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    2013

    Apesar de enfrentarem a mais longa greve da categoria até hoje no país — já são 22 dias com as agências fechadas —, os banqueiros insistem em pagar o reajuste dos bancários abaixo da inflação. Nesta terça-feira, 27, haverá nova rodada de negociações com os bancários em São Paulo e, dependendo do resultado, a paralisação pode continuar.

    Na segunda-feira, 27, a greve nacional chegou a 21 dias, se igualando a de 2015. Este ano, contudo, a intransigência está maior. A última proposta apresentada aos bancários, no dia 9 de setembro, foi de reajuste de 7% para salários e benefícios mais um abono de R$ 3.900 a ser pago em até dez dias após a assinatura do acordo.

    A proposta foi recusada pelos bancários, que pedem reposição da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 9,62% nos últimos 12 meses mais 5% de ganho real, o que perfaz um total de 14,78%. A categoria também reivindica participação nos lucros e resultados mais R$ 8.297,61, piso salarial de R$ 3.940,24, vales alimentação e refeição, 13 cesta e auxílio creche e babá de um salário mínimo nacional (R$ 880), 14º salário, fim das metas abusivas e do assédio moral, fim das demissões e da terceirização, entre outros itens.

    A greve registra um total de 13.385 agências fechadas em todo o país. Só no Rio, 407 agências e seis prédios administrativos estão sem funcionar. A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) não tem divulgado balanços diários das agências fechadas, mas informa que a população tem à disposição uma série de canais alternativos para saques e pagamento de contas, como lotéricas, postos dos Correios e supermercados. Além disso, nos terminais eletrônicos, é possível agendar pagamento de contas, emissão de folhas de cheques e transferências. Segundo o Banco Central, o Brasil tem 22.676 agências bancárias.

    Em entrevista à Sputnik Brasil, a diretora do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, Adriana Nalesso, diz que o setor financeiro continua lucrando e muito. 

    "Acho que é o único setor do país que não teve prejuízo, mas eles estão muito intransigentes e não querem sequer repor a inflação do período. Nossa reivindicação não é absurda frente à lucratividade do setor. O argumento que eles apresentam não se sustenta porque, segundo eles, há uma projeção de queda da inflação para 2017, em torno de 5,5%. Se eles repusessem a inflação agora, nós já estaríamos ganhando mais de 4% de ganho real. Nenhuma categoria faz projeção em cima de inflação futura. Você vai discutir o passado. Você tem uma inflação dos alimentos de cerca de 17%, a de educação já ultrapassou os 10%, aumento nos planos de saúde. O que os trabalhadores discutem é a recomposição do poder de compra." 

    Segundo Adriana, a maioria dos bancos paga a folha de pagamentos só com arrecadação de tarifas. 

    "O Itaú, por exemplo, paga 100% da folha só com arrecadação de tarifas e taxas de serviços e ainda sobra 50% para lucratividade. Eles têm condições de atender às reivindicações da categoria. Se os bancos estão em greve, a culpa é deles, por intransigência e arrogância dos banqueiros."

    Segundo o Sindicato dos Bancários, o Itaú registrou lucro de R$ 10,7 bilhões no primeiro semestre deste ano, com a cobrança de juros médios de 370,8%, aumento médio de 30% nas tarifas. A Caixa apresentou lucro de R$ 2,4 bilhões no período, tem juros de 292,5% ao ano no cheque especial e também reajustou suas tarifas de serviço em 30% este ano.

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    Tags:
    lucros, reposição salarial, bancários, reajuste, greve, inflação, Itaú, Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, Fenaban, Caixa Econômica Federal, Adriana Nalesso, Brasil
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