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    Em debate, a Carta aos Brasileiros, de Dilma Rousseff

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    A presidente afastada Dilma Rousseff deverá divulgar até quarta-feira, 10, a sua Carta aos Brasileiros. No documento, Dilma insistirá na sua total inocência diante do processo de impeachment a que está respondendo no Senado, e deverá propor a realização de um plebiscito para que a população diga se aceita uma eleição presidencial extraordinária.

    Para Dilma, esta eleição extraordinária – à qual ela não concorreria, nem o presidente em exercício, Michel Temer – seria a única forma de pacificar o país. Em torno desta ideia, Sputnik Brasil ouviu dois membros do Senado Federal, Fátima Bezerra (PT-RN) e Cristovam Buarque (PPS-DF).

    Para a Senadora Fátima Bezerra, Dilma dá lições de grandeza com este seu gesto:

    “Eu acho que esta é uma iniciativa válida por parte da presidente”, opina a parlamentar petista. “Ela mostra, mais uma vez, o seu compromisso, acima de tudo, com o Estado Democrático de Direito, na medida em que ela não abre mão de deslegitimar o golpe, portanto, de ter a soberania popular preservada, através do retorno do seu mandato. Ao mesmo tempo, ela mostra grandeza na medida em que, ao derrotar o golpe e o impeachment, está disposta a aceitar uma alternativa como esta, que seria a antecipação das eleições como forma de superar o impasse e de preservar a democracia contra o movimento golpista em curso.”

    Já o Senador Cristovam Buarque entende que a presidente perdeu a oportunidade da apresentação deste documento:

    “Eu tenho a impressão de que esta Carta chega um pouco tarde no que se refere à proposta do plebiscito”, comenta o senador do PPS do Distrito Federal. “Pelo que eu li nos jornais, o próprio presidente do Partido dos Trabalhadores já disse que não há muito sentido em se realizar não só o plebiscito como também antecipar as eleições presidenciais. Não vai haver tempo para se fazer este plebiscito porque ele não depende da presidente, mas do Congresso. Então, a meu ver, está superada esta proposta.”

    O Senador Cristovam Duarte acrescenta:

    “Quanto à defesa dela [Dilma Rousseff], se vier com fatos novos, que não foram discutidos ainda, pode ser uma atitude positiva. E, em relação à Carta aos Brasileiros, eu creio que ela é correta e boa. Devo até dizer que, em agosto de 2015, portanto há um ano, eu e mais cinco senadores fomos à presidente e propusemos que ela fizesse isso, que viesse ao Congresso, trouxesse uma carta e, nessa carta, reconhecesse os erros que cometeu. Deveria dizer que não é mais do Partido dos Trabalhadores nem de nenhum outro partido, mas sim dizer que o partido dela é o Brasil, convidar todos a compor um governo com ela. É isso o que a presidente deveria ter feito um ano atrás. Mas Dilma não demonstrou interesse em fazê-lo.”

    Cristovam Buarque confirmou que na sessão de pronúncia no Senado desta terça-feira, 9, votará pelo prosseguimento do processo de impeachment contra a presidente:

    “Pensei bem em todos os fatos e em todas as razões de Direito apresentados nos autos, e consolidei minha decisão. Sou pelo prosseguimento da ação e pela sua discussão quando do julgamento em Plenário no final de agosto.”   

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    Tags:
    novas eleições, plebiscito, golpe, Estado de direito, democracia, impeachment, PPS, PT, Fátima Bezerra, Cristovam Buarque, Michel Temer, Dilma Rousseff, Brasília, Brasil
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