06:06 19 Agosto 2017
Ouvir Rádio
    Urna eletrônica
    José Cruz/Agência Brasil

    Eleições municipais de outubro: caixa 2 à vista

    Notícias
    URL curta
    421514

    O presidente do Partido Progressista, Senador Ciro Nogueira (PP-PI), afirmou que o fim do financiamento de campanhas eleitorais por empresas privadas, decretado por lei, fará com que as eleições municipais deste ano sejam marcadas "por recursos não contabilizados – a popular caixa 2". Outro senador, João Capiberibe, comenta a afirmação do colega.

    Na opinião do presidente do PP, Ciro Nogueira, "foi erro grave acabar com o financiamento das empresas aos candidatos". A afirmação de Ciro Nogueira não surpreende seu colega Senador João Capiberibe (PSB-AP), que diz que "a utilização do caixa 2 em campanhas eleitorais tornou-se corriqueira no Brasil". Portanto, disse Capiberibe, "nem mesmo a proibição legal poderá pôr fim ao uso de dinheiro de origem ilícita nas campanhas".

    Ao mesmo tempo, João Capiberibe diz ter esperanças de que uma profunda reforma política poderá resolver esta situação. Mas, na opinião do parlamentar, "é preciso que o povo vá para as ruas pressionar pela imposição da moralidade pública, pois sem a pressão da sociedade dificilmente a reforma política poderá prosperar".

    O Senador João Capiberibe argumenta que "se calcula que, antes da proibição de doação pelas empresas, de cada real declarado à Justiça Eleitoral pelo menos 5 reais eram gastos em caixa 2. Ou seja, com as empresas doando, havia caixa 2 porque se arrecadava mais do que aquilo que os partidos haviam declarado que gastariam na campanha".

    O parlamentar do PSB acrescenta haver certo comportamento cultural de burlar a lei, pela representação política e pelos agentes políticos:

    "Eu creio que continuará a haver caixa 2, mas haverá um recuo das empresas em fazer doações mesmo considerando que uma parte importante do empresariado da construção civil brasileira hoje está presa e as grandes empresas estão todas sendo investigadas. Então as próprias empresas vão restringir muitíssimo as doações de campanha. Esse é um lado muito positivo. Há o receio de ser apanhado porque a lei agora pune não apenas aqueles que praticam o caixa 2 mas também quem doa fora daquilo que a lei prevê. Eu acho vai ocorrer, sim, mas com menor intensidade do que na época em que as empresas podiam doar para as campanhas eleitorais, o que é uma aberração, porque empresa não vota."

    O Senador João Capiberibe diz ainda concordar plenamente com a afirmação corrente de que as empresas não doam, fazem investimentos. E acrescenta:

    "As empresas não doam para qualquer um, elas não investem em qualquer um, elas investem nos seus representantes, naqueles que as empresas escolhem para representá-las no Legislativo, no Executivo. Ou seja, para executar os seus objetivos. E isso estava muito claro. Nós temos bancadas com denominações. Nós temos bancada do agronegócio, evidentemente financiada pelo alto empresariado do agronegócio; temos bancada dos banqueiros, muito poderosa. O que falta, na verdade, é uma representação da sociedade brasileira, que é impedida de se fazer representar num sistema político falido que está aí, e hoje poucos brasileiros se veem representados nos parlamentos, sejam municipais, estaduais ou federal. Os brasileiros não se sentem representados, e com razão, porque a maioria dos eleitos são representantes de grandes conglomerados empresariais do país."

    Tags:
    campanha eleitoral, doação financeira, agronegócio, financiamento, Caixa 2, PSB, João Capiberibe, Brasília, Brasil
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik