04:34 25 Setembro 2021
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    David Zee e a qualidade das águas da Baía de Guanabara: 'Depende da maré'

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    Às vésperas da abertura das Olimpíadas do Rio de Janeiro, na sexta-feira, 5, o alemão Thomas Bach, presidente do Comitê Olímpico Internacional, disse considerar a Baía de Guanabara apta a sediar as competições de vela dos Jogos. Ao mesmo tempo, o britânico "The Economist" falava da "sujeira da baía". Quem tem razão?

    Segundo Thomas Bach, as condições da Baía de Guanabara para a prática da vela "são aceitáveis, do ponto de vista dos padrões internacionais", tranquilizando os velejadores e dirigentes das delegações e contrariando a afirmação da revista inglesa, publicação, aliás, contumaz nas críticas feitas ao Rio de Janeiro como sede dos Jogos 2016.

    "Eu não compactuo da ideia do Sr. Thomas Bach", diz, no entanto, um dos maiores especialistas no assunto, o engenheiro ambiental David Zee, professor de Oceanografia da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro).

    "Eu acho que a Baía de Guanabara tem condições de qualidade da água bastante flutuantes, bastante oscilantes, porque, dependendo da maré, ela pode estar em condição ruim ou numa boa condição. O que acontece é que, neste inverno, nós estamos há várias semanas sem chuva, o que é bom para a Baía de Guanabara porque a chuva drena grande quantidade de poluentes da cidade para dentro da baía."

    O Professor Zee explica que, como estamos em uma época de seca, a poluição que chega à baía é menor, mas isso não quer dizer que ela esteja totalmente descontaminada. "Ela tem oscilações, flutuações de bons e maus momentos, principalmente na maré vazante. Se só temos condição de maré vazante, aí, sim, dependendo do local da baía, porque há locais em melhores condições e locais em piores condições."

    O especialista em Oceanografia acrescenta que "felizmente os locais onde serão feitos os eventos olímpicos de vela são mais próximos da boca da Baía de Guanabara, que recebe grande influência das águas boas do mar durante a maré enchente. A entrada das águas limpas do mar sem dúvida nenhuma deixa essa região em melhores condições, diferentemente de alguns pontos a oeste e no fundo da baía que recebe uma carga de poluição muito grande dos rios Sarapuí, Pavuna e Meriti. Isto drena extensas áreas densamente povoadas, áreas que têm muito poucos equipamentos de saneamento básico. Desta forma, uma quantidade muito grande de sujeira acaba chegando à Baía de Guanabara."

    Tags:
    Brasil, Rio de Janeiro, Thomas Bach, David Zee, Comité Olímpico Internacional (COI), Rio-2016, Jogos Olímpicos, poluição, Jogos Rio 2016
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