11:28 26 Setembro 2017
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    Governo Federal garante que segurança será reforçada durante os Jogos Rio 2016
    José Cruz/Agência Brasil

    Se liga, brasileiro! Essa pessoa ao seu lado pode ser um terrorista

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    Embora amenizada em vários pronunciamentos do governo, a possibilidade de um atentado terrorista no Brasil durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, a partir de 5 de agosto, continua um tema de repercussão social. Um anúncio postado no fim de semana no Facebook pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) vem gerando polêmica.

    Na mensagem, um cartaz orienta a população a identificar uma possível ameaça terrorista. Para isso, a agência utilizou a imagem de uma pessoa sem rosto com um casaco e uma mochila. O texto diz: "Utilizam roupas, mochilas e bolsas destoantes das circunstâncias e do clima. Agem de forma estranha e demonstram intenso nervosismo. Comunique o fato ao agente de segurança mais próximo."Ao fim da mensagem, é colocado um endereço de email para envio de denúncias por parte da população. A descrição da imagem do possível terrorista foi muito comentada na internet, muitas vezes com ironia.

    Tendo em vista a ampla repercussão da mensagem, a Abin distribuiu a seguinte nota oficial:

    "A iniciativa visa a orientar, de forma contínua, todas as camadas da sociedade para que a população sinta-se encorajada a contribuir com os órgãos de segurança na prevenção de ações terroristas (…). O trabalho de prevenção é dificultado por não haver descrição, perfil ou comportamento que possa, de forma simples, direta e inequívoca, identificar um terrorista. No entanto, a combinação de pequenos indícios pode ser evidência de comportamento associado à intenção de prática terrorista (…) O uso de roupas inadequadas ao clima ou o nervosismo extremo de um cidadão não consistem, isoladamente, em motivo para suspeita. No entanto, combinados com outros elementos aparentemente insignificantes e não merecedores de atenção, podem, de fato, representar alerta para as forças de segurança. São exemplos a realização de fotografias dos sistemas de segurança de locais públicos; a presença de odores fortes de substâncias estranhas; a tentativa de ingresso em locais restritos a pessoal de segurança; entre outros (…)."

    Segundo informações divulgadas pela mídia brasileira neste fim de semana, a Abin estaria monitorando de perto cerca de 100 pessoas no país, principalmente nas regiões Sul e Centro-Oeste, suspeitas de terem alguma ligação com organizações que promovem ataques terroristas. Já com relação às preocupações que possa haver ataques não de grupos, mas da parte de indivíduos, os chamados "lobos solitários", alguns especialistas em segurança pública admitem que, embora remota, essa é uma possibilidade que exige toda a atenção. Para Paulo Storani, antropólogo, ex-oficial do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar, e professor da Universidade Cândido Mendes, esse monitoramento deveria ter começado há seis anos, quando o Rio ganhou a eleição para sediar os Jogos Olímpicos.

    "Não foi feito isso ao longo dos últimos seis anos, mas no último ano parece que a Abin acordou em razão do monitoramento das redes sociais quando começaram a surgir, a partir de sites ou de perfis que tinham uma certa fundamentação, uma certa credibilidade, e que começaram a demonstrar a vontade de um ataque ou uma animosidade com os Jogos Olímpicos no Rio. Disseram que estão mobilizando toda a estrutura para monitorar cem possíveis 'lobos solitários'. Essa é a forma de fazê-lo, identificando essas pessoas, chamando-as para serem ouvidas, identificando endereço, verificando documentação, o que estão fazendo na cidade e às vezes tomando medidas preventivamente em relação a isso."

    Segundo Storani, só recentemente o Brasil teve uma legislação sobre terrorismo internacional, mas não definiu muitas responsabilidades e nem recursos para que isso fosse feito. Ele diz que, embora tenhamos um evento da magnitude dos Jogos Olímpicos, a nossa estrutura para casos como esse está se limitando a essa iniciativa da Abin e à preparação das respostas caso haja algum ataque.

    Outro especialista em segurança, Yann Duzert, professor de Gestão e Resolução de Conflitos do Departamento de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas no Rio (FGV-RJ), admite que as possibilidades de um ataque terrorista são de de 5%, 10% e até 30%, embora seja muito difícil calcular com mais precisão o grau desse risco.

    "Obama falou que as probabilidades de acidente ao cair da banheira ou morrer de acidente de carro são muito maiores do que morrer de um atentado ou de um kalashnikov de terrorista. A meu ver existe, sim, uma probabilidade fraca, mas não devemos ficar com medo de sair de casa. A melhor prova foi a Europa que reagiu com a Eurocopa, com grandes multidões festejando o esporte, o lazer e a comunicação dos povos no mundo e foi um sucesso."

    Com relação à uma possível ação dos "lobos solitários", Duzert afirma que eles são difíceis de identificar, por serem pessoas muito isoladas, o que dificulta a prevenção das ações.

    "Existe essa possibilidade, porém não devemos ficar só com esse medo. Existem no mundo inteiro, todo dia, pessoas que reivindicam violência desde que a humanidade existe. Devemos conviver com esse risco. A meu ver, a melhor solução é do Blaise Pascal: apostar. Apostar que vai dar tudo certo. Devemos continuar a viajar de carro, de avião, continuar a ter acesso à cultura, a encontrar amigos, senão não vamos mais viver. Existe uma probabilidade fraca, mas que existe e devemos conviver com ela."

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    Tags:
    Rio 2016, ameaça terrorista, sociedade, prevenção, vigilância, BOPE, Abin, FGV, Yann Duzert, Paulo Storani, Rio de Janeiro
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