19:20 20 Setembro 2019
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    Manifestações contra o impeachment na Avenida Paulista
    © Foto / Leonardo Veras

    Partidos criticam indiciamento do presidente da CUT por incitação ao crime

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    A Polícia Civil do Distrito Federal indiciou o presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Wagner Freitas, por incitação ao crime. Em agosto de 2015, em reunião dos movimentos sindicais no Palácio do Planalto para defender a presidente Dilma Rousseff, Wagner disse que era hora de os manifestantes "pegarem em armas".

    O processo estava em poder da Polícia Federal até junho deste ano e foi enviado à Polícia Civil em Brasília, de onde será remetido ao Ministério Público para ser analisado por um Juizado Especial Cível. A incitação ao crime é prevista no artigo 286 do Código Penal e prevê detenção de três a seis meses mais multa. Segundo vários especialistas em Direito, mMesmo se o presidente da CUT for condenado, dificilmente será preso, tendo a pena revertida em serviços comunitários. A representação contra o sindicalista foi apresentada pelo Major Olimpo (PDT-SP) e trechos do discurso de Wagner na internet serão usados como prova.

    Procurada pela Sputnik, a assessoria da CUT informou que Wagner não falaria neste momento. Em declarações anteriores, porém, antes do indiciamento, o sindicalista explicou que a expressão usada se referia à arma da palavra, da organização dos trabalhadores, de um debate de ideiais e não a violência.

    Na opinião do presidente da Juventude do PT em São Paulo, Erik Bouzan, contudo, esse é um processo de criminalização dos movimentos sociais que se acirrou no processo de construção do impeachment, mas que vem se potencializando cada vez mais nos últimos meses.

    "Não é à toa que tem o ministro (da Justiça) Alexandre de Moraes, que já declarou a perseguição aos movimentos sociais. Parece muito nítido que isso é friamente planejado, tem data para acontecer, as pautas-bomba estouram no momento em que essa direita quer e com o único propósito de prejudicar qualquer tentativa de volta à normalidade democrática com a reinserção da presidenta Dilma. Eles estão fazendo isso porque há uma pauta muito forte de denúncias de corrupção e de abafamento de corrupção desse governo golpista. O Cunha e o Temer se reúnem quase toda a semana. A tentativa de resgatar esse fato (a fala do presidente da CUT) tem o objetivo muito claro que é de colocar panos quentes nas denúncias e na visibilidade que está tendo a corrupção dentro desse governo."

    Na mesma linha de argumentação, a presidente nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Luciana Santos, diz que o indiciamento do presidente da CUT faz parte da reação das forças políticas que ficaram inconformadas com a derrota para o segundo mandato da presidente Dilma. De acordo com Luciana, esse é um conluio ao qual aderiram a mídia, o Judiciário e os órgãos de controle.

    "A estratégia da retaliação é agir com autoritarismo em uma agenda que não contou com o crivo das urnas. A criminalização dos movimentos sociais é uma forma de tentar nos calar, mas nós não vamos nos calar. Pelo contrário. Vamos agigantar as reações."

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    Tags:
    sindicatos, incitação, protestos, impeachment, justiça, Ministério Público, PCdoB, Polícia Civil, Polícia Federal, PT, Brasil
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