13:59 14 Dezembro 2018
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    Operação Recomeço: ex-advogado de Eduardo Cunha se entrega à Polícia Federal

    © AFP 2018 / VANDERLEI ALMEIDA
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    Em meio a tantos escândalos de corrupção no Brasil, mais um empresário brasileiro é alvo de buscas por parte da Justiça. Ricardo Andrade Magro, considerado foragido desde sexta-feira (24), se entregou à Polícia Federal na manhã desta segunda (27), segundo informou o Ministério Público Federal.

    Magro foi um dos alvos da Operação Recomeço, deflagrada pela PF e pelo Ministério Público Federal na sexta-feira para investigar um esquema de desvio de recursos dos fundos de pensão Petros, da Petrobras, e Postalis, dos Correios. Também se entregou outro investigado, o ex-diretor do Grupo Galileo, Carlos Alberto Peregrino da Silva.

    Ex-advogado do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Ricardo Magro e Márcio André Mendes Costa, cuja prisão também foi decretada pela Justiça, eram sócios do Galileo à época. Segundo o MPF, em dezembro de 2010, o Grupo Galileo emitiu debêntures (títulos mobiliários) no valor de R$ 100 milhões para captar recursos para recuperar a Universidade Gama Filho.

    As investigações encontraram indícios de que o dinheiro captado foi ilegalmente desviado para outros fins, em especial para contas bancárias dos investigados, de terceiros e de pessoas jurídicas relacionadas aos investigados, o que levou à quebra definitiva da Gama Filho e da UniverCidade, também mantida pelo Grupo, e ao descredenciamento delas pelo Ministério da Educação em 2014, com danos a milhares de estudantes.

    O esquema também prejudicou os fundos de Pensão Postalis e Petros, que adquiriram em 2011 as debêntures do Grupo Galileo confiando na recuperação da Gama Filho. A operação causou perdas aos segurados no valor de R$ 90 milhões e também foi apurada pela CPI dos Fundos de Pensão na Câmara dos Deputados, cujo relatório final, aprovado em abril de 2016, concluiu pela irregularidade da compra dos títulos mobiliários e apontou indícios de graves ilícitos penais.

    Na sexta-feira, foram presos Adilson Florêncio da Costa, ex-diretor financeiro do Postalis; Paulo César Prado Ferreira da Gama, um dos controladores da Gama Filho à época; e o advogado Roberto Roland. Além das prisões, a Justiça expediu 12 mandados de busca e apreensão e determinou o bloqueio de bens e ativos financeiros de 46 pessoas físicas e jurídicas, em valor superior a R$ 1,35 bilhão.

    Magro, dono do grupo que controla a Refinaria de Manguinhos, no Rio e de uma rede de distribuidoras de combustíveis era considerado foragido da Justiça, após a 5ª Vara Federal do Rio autorizar a prisão dele e de mais seis pessoas acusadas de desvio de R$ 90 milhões dos fundos de pensão da Petrobras (Petros) e dos Correios (Postalis) por ocasião da compra de debêntures (títulos mobiliários) do Grupo Galileo.

    A família Andrade Magro atuava nas redes de combustíveis em São Paulo. Na década de 1990, eles se tornaram um dos maiores grupos do país, usando liminares para fugir à tributação de 1998 a 2004. Com essas manobras, cresceram e se tornaram um dos maiores grupos empresariais tanto no Paraná quanto no Rio, onde se transformaram no quartel-general do esquema.

    Tags:
    prisão, justiça, petróleo, fraude, refinaria, fundos de pensão, Gama Filho, Correios, Polícia Federal, Ministério Público Federal, Eduardo Cunha, Rio de Janeiro, Brasil
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