12:00 21 Maio 2018
Ouvir Rádio
    Usina Nuclear de Angra dos Reis

    Brasil exporta 1º lote de urânio enriquecido, e cliente é Argentina

    Rodrigo Soldon/Flickr
    Notícias
    URL curta
    2141

    O Brasil entrou no seleto clube dos países que dominam a tecnologia de processamento de urânio enriquecido com fins pacíficos mas com potencial comercial. A Indústrias Nucleares do Brasil (INB) concluiu acordo para sua primeira exportação de urânio enriquecido. O cliente é outra estatal, a Combustíveis Nucleares Argentinos (Conuar)

    O valor do negócio é de US$ 4 milhões e prevê a entrega de três lotes no montante de quatro toneladas, com teor de enriquecimento distintos: o primeiro de 1,9%, o segundo de 2,6% e o terceiro de 3,1%. Todos serão utilizados na usina de Atucha. Os dois primeiros lotes foram processados com urânio enriquecido importado e transformado em pó, enquanto o último foi totalmente enriquecido e transformado em pó na fábrica da INB em Resende. O material vai ser entregue à Argentina nos próximos dias e vai exigir um esquema especial de transporte que contará com a participação da Polícia Rodoviária Federal (PRF). 

    Os detalhes são mantidos em sigilo, mas já se sabe que, se o envio não acontecer nas próximas semanas, será preciso esperar o término dos Jogos Olímpicos, uma vez que o transporte exigirá interdições e retenções em diversas estradas brasileiras. A remessa sairá de Resende (RJ) e seguirá até Uruguaiana (RS) com escolta permanente da PRF. Da cidade gaúcha seguirá então para a Argentina, cabendo as autoridades daquele país zelar pela sua segurança. 

    Hoje, a produção de urânio enriquecido da INB só consegue atender a 40% da demanda da usina de Angra 1, o que representa 100 mil Unidades de Trabalho de Separação (UTS). A INB opera com seis cascatas, como são chamados os equipamentos responsáveis pelo enriquecimento do urânio, mas o projeto engloba um total de dez. Para isso, no entanto, seriam necessários recursos de R$ 100 milhões. Com a operação de todas as cascatas, a empresa poderia atender à demanda total de Angra 1 e 20% de Angra 2, mas os recursos do governo não têm chegado para isso. A INB tem custo anual de R$ 1 bilhão, que deve baixar para cerca de US$ 800 milhões com os contingenciamento orçamentário previsto pelo governo federal.

    Falando à mídia nesta semana no Rio, durante o simpósio anual da Seção Latinoamericana Nuclear Americana (LAS/ANS), o presidente da empresa, João Carlos Tupinambá, garantiu que a venda das quatro toneladas de urânio enriquecido à Argentina não vai comprometer o atendimento às usinas brasileiras.

    "Estamos otimizando nosso estoque. Essas ações não colocam risco o fornecimento nacional. O importante é firmar o Brasil no cenário internacional."

    Mais:

    Serviço de Segurança da Geórgia prende cidadãos tentando vender urânio por US$3 milhões
    Rússia começará a vender urânio enriquecido para a Europa
    Tags:
    orçamento, exportação, urânio enriquecido, energia nuclear, Argentina, Brasil
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik