11:52 12 Dezembro 2017
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    Diplomata e embaixador brasileiro não comentam comunicados falando de golpe no Brasil

    Rafael Neddermeyer/Fotos Públicas
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    A polêmica ocorrida em março, com a comunicação feita por um diplomata do Itamaraty às embaixadas brasileiras, para que fossem divulgadas as irregularidades no impeachment da presidente Dilma continua um mistério. Procurados pela Sputnik, o diplomata Milton Rondó Filho e o embaixador em Moscou, Antonio José Vallim Guerreiro, não comentam o tema.

    Rondó Filho alegou que não gostaria de comentar em público seu afastamento da chefia da Coordenação Geral de Cooperação Humanitária e Combate à Fome que ocupava quando enviou as comunicações aos postos brasileiros no exterior. Também procurado pela Sputnik em Moscou, o embaixador Vallim Guerreiro foi mais sucinto: 

    "Sobre esse assunto não falo."

    Fontes do Itamaraty que acompanharam a questão contam que os comunicados, dois na verdade, não tinham o apelo de sublevação e denúncia sobre o andamento de um golpe contra a presidente Dilma engendrado dentro do Ministério das Relações Exteriores como a imprensa brasileira deu a entender, motivando a desautorização sobre o conteúdo das mensagens no mesmo dia pelo governo brasileiro.

    Segundo essas fontes, sem necessidade de  consultar superiores, Rondó Filho teria enviado comunicado às representações pedindo que elas abrissem canais de diálogo com as sociedades locais. Ainda conforme essas fontes, é comum o Itamaraty e as embaixadas receberem diretamente relatórios de Organizações Não-Governamentais (ONGs) analisando diversos aspectos da vida dos países. Isso teria acontecido nos envios feitos pela Coordenação de Rondó Filho com conteúdo de análise da situação política do Brasil no início do ano, feita pela Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais (ABONG), que reúne cerca de 250 entidades civis. O texto enviado com aspas seria da ONG e não do diplomata, que acabou sendo afastado e aguarda uma nova colocação.

    Um dos textos, que seria assinado por ONGs, afirmava:

    "É momento de resistência democrática! Conclamamos a sociedade para a luta pela democracia. Não ao Golpe! A luta continua."

    Por ocasião do afastamento, o Itamaraty divulgou a seguinte nota oficial:

    "Trata-se da substituição natural de um ocupante de cargo de confiança e da movimentação habitual de um membro do Serviço Exterior Brasileiro. A administração designará nova função para o servidor", diz a nota.

    Nos bastidores, porém, o envio dos dois comunicados às embaixadas brasileiros causou profunda irritação ao governo e em especial ao ministro das Relações Exteriores, José Serra, que ordenou que as embaixadas passassem a rejeitar com vigor qualquer informação oficial ou não sobre o fato de que o afastamento da presidente Dilma foi fruto de um golpe e não de uma prerrogativa constitucional.

    O fato é que, ao contrário do que ocorre em áreas do governo, como nos ministérios da Educação e da Saúde, em outros espaços, como Banco Central, Ministério da Fazenda e Itamaraty não é permitida a participação da sociedade civil em seus conselhos.

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    Tags:
    diálogo, governo, afastamento, comunicado, embaixada, Ministério das Relações Exteriores, Itamaraty, Antonio José Vallim Guerreiro, José Serra, Brasília
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