05:58 22 Agosto 2017
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    Rolezinho Iguatemi
    Nelson Almeida/AFP

    Movimento Povo sem Medo explica ação em shopping

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    As manifestações contra o afastamento da presidente Dilma Rousseff e o novo governo Temer continuam em várias capitais. Na terça-feira, 7, o entorno do shopping Iguatemi - um dos mais tradicionais de São Paulo - foi palco de um protesto intitulado "Rolezinho sem Temer", que reuniu mais de uma centena de manifestantes.

    Convocada pela Frente Brasil sem Medo e outros movimentos sociais, a manifestação criticou também a deputada Tia Eron (PRB-BA) que não compareceu à sessão do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados que decidiria o futuro de Eduardo Cunha, presidente da casa afastado por decisão da Justiça, que julga contra ele acusações de evasão de divisas e recebimento de propina. O grupo foi impedido de entrar no shopping por um cordão da Polícia Militar, mas a administração não chegou a interromper o funcionamento das lojas. As portas principais foram fechadas, mas deixando abertas as laterais, possibilitando a circulação de consumidores. 

    Após deixarem as imediações do Iguatemi, os integrantes do rolezinho se dirigiram ao Itaim Bibi, onde colocaram cartazes no prédio onde funciona o escritório de advocacia de Temer, e amassaram laranjas em alusão à propriedade do imóvel que está registrado em nome de um dos filhos do presidente em exercício.

    Integrante do operativo nacional Povo sem Medo, Ubiratan Ribeiro esteve na manifestação do Iguatemi e conta com exclusividade à Sputnik os motivos do protesto.

    "A frente Povo sem Medo é uma frente de movimentos sociais, como o movimento negro Círculo Pau Marino do qual faço parte. O rolezinho foi provocado justamente para levantar a discussão na sociedade do papel da Polícia Militar na repressão da juventude e os rolezinhos que se tornaram polêmica no país, nos espaços onde são segregados, para mostrar que a Frente Povo sem Medo tem lado e escancarar o racismo que existe na sociedade brasileira."

    Ribeiro diz que não houve incidentes de violência com a polícia.

    "Quando a gente chegou ao local (às 17h), o acesso já estava fechado, eles já prepararam todo aparato de segregação com a corrente de segurança e policiais militares. A ideia era só fazer um rolê, um chamado à sociedade. Há poucos dias, a PM aqui de São Paulo matou uma criança de 10 anos e isso gerou uma grande repercussão na sociedade. É a mesma polícia que tem brutalizado nas manifestações. O ato seria pacífico mesmo."

    Segundo o integrante da Frente Povo sem Medo, é difícil falar em número, mas certamente foram mais de 100 pessoas ao contrário do que contabilizou a PM. 

    "Não era uma atividade de massa, queríamos fazer algo um pouco mais pontual. O planejamento de ações se dá conforme as discussões. Agora estamos fazendo plenárias abertas para levar as discussões da Frente Povo sem Medo para a rua. Nesses espaços vamos pensando atividades, da qual saiu a ideia do rolezinho."

    Procurada pela Sputnik, a  assessoria do Shopping Center Iguatemi São Paulo informou que as medidas adotadas na última terça-feira tiveram por objetivo garantir a segurança e a tranquilidade de seus clientes, lojistas e colaboradores. Já a Associação Brasileira de Shoppings Centers (Abrasce) informou que a entidade ainda não tem posição oficial sobre o assunto. 

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    Tags:
    polícia, repressão, shopping, protesto, Frente Povo Sem Medo, Michel Temer, São Paulo
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