23:25 26 Junho 2019
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    Tânia Rêgo/Agência Brasil

    Deputado do PT: gravações com cúpula do governo comprovam orquestração do golpe

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    A divulgação das conversas gravadas pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado com nomes do primeiro escalão do governo do presidente interino Michel Temer e divulgadas pela Folha de S.Paulo pode acelerar o movimento no Senado de apressar a condução do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

    O conteúdo das conversas entre Machado e o atual ministro de Planejamento, Romero Jucá, licenciado do cargo, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o ex-presidente José Sarney, discutindo estratégias de afastar a presidente Dilma do cargo e impedir o prosseguimento das investigações da Operação Lava Jato, continuam repercutindo no Brasil e no exterior. Para o deputado federal Saguas Moraes (PT-MT), a divulgação das conversas comprova o acerto das denúncias feitas há tempo pelo PT sobre os movimentos que os partidos de oposição faziam para tirar a presidente Dilma do poder, ainda que sob a égide da legalidade.

    "Denunciamos esse governo ilegítimo em duas condições: a primeira era a de ser um golpe institucional, uma vez que não havia crime. Na nossa opinião, impeachment sem crime é golpe. Também já denunciávamos que o que estava em curso era uma ação de todos os partidos da oposição não só para derrubar a presidente Dilma, mas também para estancar a Lava Jato, porque o número de parlamentares da oposição envolvido era muito grande. Agora, as delações de Sérgio Machado e outras que estão por vir estão demonstrando claramente o envolvimento do PMDB como principal articulador do golpe associado ao PSDB e ao DEM."

    Segundo o deputado do PT, mais do que afastar a presidente Dilma o principal objetivo dos parlamentares pró impeachment era estancar as investigações da Polícia Federal, da Justiça e do Ministério Público.

    "Também denunciávamos à época que alguns dos partidos como PP, PR e PSD estavam na base do governo, ocupando cargos e ministérios, e o que Michel Temer poderia oferecer além disso era a possibilidade de trancar as investigações para que não pudessem atingir uma grande quantidade de parlamentares tanto na Câmara quanto no Senado. Agora está comprovado isso, e acredito que a cada dia vai ficar mais claro para a população brasileira saber que, além de golpistas, eles são quadrilheiros."

    Com relação a um dos trechos de gravação em que o presidente do Senado, Renan Calheiros, classifica o presidente do PSDB, senador Aécio Neves, como "o mais vulnerável do mundo" na Lava Jato, Saguas concorda que o grau de preocupação deve ser grande.

    "Quem é de Minas Gerais sabe o quanto foi corrupto o governo dele. Eu dizia num pronunciamento há poucos dias na Câmara que até as crianças de Minas Gerais sabe do envolvimento dele com Furnas. E não é só Furnas. Ele está envolvido em vários casos em Minas Gerais e no país. Ele que posa como paladino da moralidade no Brasil, pousou durante a campanha, no governo de Minas, onde sufocava a mídia mineira, vendeu a imagem do bom mocinho que com certeza será desfeita agora, por isso ele é um dos mais vulneráveis e mais preocupados nesse processo todo."

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    Tags:
    oposição, articulação, partidos, impeachment, Transpetro, Congresso, Renan Calheiros, Romero Jucá, José Sarney, Sérgio Machado, Brasil
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