06:38 17 Agosto 2017
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    Bate-boca na OEA envolve países favoráveis e contrários ao impeachment no Brasil

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    Um bate-boca de representantes de países a favor e contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff dominou a última sessão da Organização dos Estados Americanos (OEA) em Washington na quarta-feira, 18. Paraguai e Estados Unidos, Venezuela, Honduras e Bolívia trocarme acusações sobre responsabilidade pela desestabilização política no continente.

    Segundo o embaixador brasileiro na OEA, José Luiz Machado e Costa, tudo começou quando o representante paraguaio leu um posicionamento a favor do afastamento de Dilma. Ele foi interrompido por representantes de Venezuela, Honduras e Bolívia que contestaram a afirmação, denunciando haver um gople em marcha no Brasil. O embaixador defendeu a normalidade do processo, sendo apoiado pelos representantes dos EUA e da Argentina. Segundo Costa, o posicionamento dos "bolivarianos" revela uma interferência absurda nos assuntos internos do país.

    Pela manhã, contudo, a própria Comissão Interamericana de Direitos Humanos, órgão da OEA, divulgou comunicado em que expressa preocupação com "retrocessos na proteção e promoção dos direitos humanos " no Brasil sob o governo de Michel Temer. Segundo a comissão, o novo ministério, sem mulheres ou negros, mostra "que mais da metade do país não está representada", diz o órgão, lembrando que a última vez em que o Brasil teve um gabinete sem mulheres foi na ditadura militar.

    O professor e pesquisador do Núcleo de Estudos das Américas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) João Cláudio Pitillo diz que o fato de os Estados Unidos não conseguirem enxergar golpe no Brasil já era de se esperar.

    "Eles são os principais interessados no impeachment e um dos principais golpeadores da América Latina. Não podemos esquecer que a tortura, o assassinato, a destruição de democracias e os golpes de estado dados no século 20 na América Latina, todos tiveram o carimbo de apoio dos EUA. Essa situação de conflagração que hoje está na OEA segue o rito neoliberal. A Argentina tem o Macri como presidente cumprindo essa função de aplicar o neoliberalismo no Cone Sul. A situação em que o Brasil se encontra hoje é terrível, porque é governado hoje por um grupo de homens brancos, distoando completamente da composição nacional e da América Latina. Quem olha a composição do governo brasileiro hoje pensa que é um governo europeu. São pessoas sem o menor caráter e a menor moral para retirar a presidente que foi golpeada."

    Segundo Pitillo, o fato de países que têm no bolivarianismo a revolução do século 21 denunciarem isso não tira sua legitimidade. Para o professor, a imprensa do mundo todo, de países capitalistas, de países neoliberais se pronunciou de forma desfavorável ao que está acontecendo no Brasil. 

    "Rússia e China, que não são países bolivarianos, também não referendaram o processo de impeachment. Ou seja, desqualificar a Venezuela, a Bolívia, o Equador pela sua crítica ao processo que acontece no Brasil não vai aplacar o processo de golpe que já transbordou para o mundo inteiro. O Brasil está na condição de chacota depois que vimos aquele espetáculo na Câmara dos Deputados, onde se viu um grupo de bandidos assaltando o governo e se escondendo atrás das leis. O fato de a OEA estar hoje se posicionando firmemente e sendo capitaneada por esses países de caráter bolivariano só mostra que o processo bolivariano só encampa a democracia e não vai aceitar golpes de estado que venham a assassinar um projeto que estava em marcha na América Latina e que propunha uma independência, uma autonomia. É contra isso que os Estados Unidos se batem e volta ao seu receitu´rio de golpes. Outrora usaram tanques e dessa vez, o parlamento e a letra fria das leis."

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    bolivarianismo, comissão, debates, EUA, impeachment, Organização dos Estados Americanos (OEA), Washington
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