15:15 20 Agosto 2019
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    Porto de Qingdao, na província chinesa de Shandong
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    Relações entre sócios do Mercosul e dos BRICS estão mais sólidas do que nunca

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    Eventuais mudanças no cenário político brasileiro não trarão impactos significativos nas parcerias firmadas pelo Brasil com blocos comerciais importantes como o Mercosul e os BRICS. A interdependência econômica e a semelhança na defesa de projetos comuns asseguram a continuidade no desenvolvimento de ambas as propostas em termos de geopolítica.

    O alto membro do Brasil no Mercosul, Florisvaldo Fier, lembra que comercial e economicamente o Mersocul já está consolidado.

    "O Brasil hoje é o maior importador da Argentina, como a Argentina é uma grande importadora do Brasil, que também é importador de produtos do Uruguai e do Paraguai.  Há alguma desinformação sobre esse processo do Mercosul e como ele funciona. As pessoas às vezes comentam que o funcionamento do Mercosul é igual ao da União Europeia (UE). A UE é um bloco supracional – a maioria decide e a minoria acata. O Mercosul é construído por consenso, por isso as decisões internas de cada um dos países é respeitada, porque é levada à reunião de presidentes. Assim é quase impossível fazer uma ruptura brusca do Mercosul. Pode ter avanços menos acelerados ou diminuir a velocidade da integração, mas sou muito otimista. Vamos continuar integrados, o Mercosul vai continuar existindo porque não se construiu por questões de identidade ideológica de seus presidentes. Ele se constituiu como uma busca de se resolver um problema econômico e comercial desses países."

    Em relação aos BRICS, embora o só Brasil integre o bloco na América Latina, Fier diz que foi simbólica a participação dos países do continente quando foi assinado, no ano passado, o acordo de constituição do banco dos BRICS (o Novo Banco de Desenvolvimento). 

    "Naquele momento estavam todos os países da América do Sul prestigiando o evento. E não era um prestigiamento superficial. Estava surgindo um banco com um projeto de desenvolvimento regional e mundial, um banco que não tem as características do Banco Mundial (Bird) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) de salvar economias ditando regras. Como há uma crise econômica mundial, acredito que tanto os BRICS quanto seu banco continuarão existindo."

    Ainda no campo da cooperação econômica, a Rússia espera que a União Econômica Euroasiática (UEE) e o Mercosul assinem em breve um acordo de cooperação. O diretor do Departamento para a América Latina do Ministério russo das Relações Exteriores, Aleksandr Schetinin, recorda que até ao momento foram assinados memorandos de cooperação entre a UEE e os governos do Peru e Chile. A UEE — formada por Bielorússia, Cazaquistão, Rússia, Quirquistão e Tajiquistão — iniciou o seu funcionamento em 1º de janeiro de 2015. O bloco abrange uma área de 20,2 milhões quilômetros quadrados, possui um mercado conjunto de 182 milhões de pessoas e é responsável por 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Mais de 40 países e organizações internacionais expressaram a sua intenção de criar zonas de livre comércio com a UEE, nomeadamente o Camboja, a China, a Indonésia e a Tailândia.

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    BRICS, Mercosul, Mercosul, BRICS, Paraguai, Uruguai, Argentina, Brasil
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