18:23 23 Agosto 2017
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    Agência Brasil / Corpo de Bombeiros de Minas Gerais

    Mariana: a lama da morte agora pode se transformar em casas de vida

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    O rompimento da barragem da Mineradora Samarco em Mariana, em novembro do ano passado, e considerado o maior desastre ambiental do Brasil, pode representar o recomeço de vida para centenas de moradores que tiveram suas casas levadas pela enxurrada de lodo e lama destruindo tudo a sua volta.

    Um estudo desenvolvido pelo Departamento de Engenharia da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) estuda como transformar em material de construção e casas o lixo do minério que se acumulou após o desastre.

    O professor do departamento e pesquisador Ricardo Fiorotti diz que o estudo do aproveitamento dos rejeitos de mineração começou na verdade em 2010 através de recursos da Agência de Financiamento do Estado de Minas e em 2013 já se tinha consolidado muitas das soluções adotadas quando houve o rompimento da barragem da Samarco em Mariana. 

    "Os trabalhos têm como objetivo transformar rejeitos de forma geral, não só da mineração, como também da siderurgia, em materiais de construção civil. A gente usa técnicas bastante específicas para transformar esses materiais, aparentemente inservíveis, sem que haja necessidade de modificações do processo construtivo. Descobrimos que o material das barragens, por exemplo, tem grande potencial para ser utilizado como matéria prima como agregado de qualquer artefato de cimento, não só blocos também telhas, pisos, estrutura de rodovias. A aplicação é muito ampla, porque esses materiais são completamente inertes."

    Quanto aos riscos de toxicidade dos materiais para o ser humano, o professor afirma que, nas seis barragens pesquisadas no Estado de Minas, se descobriu que o material levado das barragens é composto por argila e minério de ferrro. Segundo Fiorotti, não foi encontrado nenhum tipo de contaminante nas pesquisas.

    "Algumas amostras desses elementos foram encontradas ao longo das margens do Rio Doce, mas acredito que esse material já estava depositado no leito do rio e foi revirado quando a onda de lama passou."

    O pesquisador da UFOP garante que a utilização de rejeitos de mineração consegue substituir até 80% de concreto, argamassa e matrizes de cimento que são moldadas no local ou pré-fabricadas, o que tem despertado grande interesse das empresas. Com o método, segundo ele, há uma redução de custos de até 30% na produção desses materiais. Apesar da praticidade, Fiorotti lembra que há algumas limitações de emprego.

    "O rejeito de mineração é um pouco mais pesado que a areia, por exemplo. Conseguimos construir condomínios horizontais sem nenhum prejuízo, mas a verticalização de edifícios é um pouco mais complicada; teriam que ser blocos com adições menores de rejeitos.

    O rompimento da barragem da Samarco ainda não teve suas consequências levantadas totalmente. O vazamento, estimado entre 50 e 60 milhões de metros cúbicos de rejeito, ocasionou uma avalanche de lama que percorreu cerca de 300 quilômetros no leito do Rio Doce até a sua foz no Oceano Atlântico, nas costas do Espírito Santo, chegando a se estender até a Bahia, bem próximo do santuário ecológico de Abrolhos. 

    O custo para reconstrução completa das áreas afetadas é estimada por especialistas em cerca de US$ 5 bilhões. O vazamento foi superior aos dois maiores registrados no mundo no últimos 100 anos. O primeiro nas Filipinas em 1982, com um vazamento de 28 milhões de metros cúbicos e o segundo, também nas Filipinas, em 1992 com 32 milhões de metros cúbicos.

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    Tags:
    barragem, mineração, construção, vazamento, Minas Gerais, Brasil
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