21:16 15 Julho 2019
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    Presidenta Dilma Rousseff recebe artistas e intelectuais no Planalto
    Roberto Stuckert Filho/PR

    Artistas e intelectuais encontram Dilma em ato 'contra impeachment e pela democracia'

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    Pedido de impeachment de Dilma Rousseff (132)
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    Artistas e intelectuais renomados do Brasil que são contra o processo de impeachment da presidente promoveram nesta quinta-feira, 31, em cerimônia no Palácio do Planalto, manifestação de apoio a Dilma Rousseff e em defesa da democracia.

    Na cerimônia, a presidente recebeu mais de duas dezenas de manifestos, que lhe foram entregues por atores, cantores, cineastas, escritores, jornalistas, professores universitários, produtores culturais e organizações sociais.

    Entre os convidados presentes ao encontro com a Presidenta Dilma estavam nomes como o da atriz Letícia Sabatella, que foi a primeira a discursar e fez questão de dizer que faz oposição ao governo petista porém é contra a tentativa de se tomar o poder na marra por parte da oposição, criando um clima de ódio no país.

     

    “O que a gente está vivendo hoje, essa polarização, esse ódio instaurado, essa sombra coletiva, assolando corações de irmãos, pessoas que já não estão se reconhecendo, e isso fomentado por um plano maquiavélico de tomada de poder na marra”, disse Letícia. “Isso é muito assustador. Saber que o motivo que usam para tirar a Presidenta Dilma do poder não é por um erro, mas é pelo acerto, e isso dói demais. Não sou petista, tenho decepções em muitos aspectos como quem esperava muito mais transformações em muitos campos, mas eu estou entendendo a dificuldade que é, vendo esse processo, acompanhando como é o nosso Congresso, e como é difícil mesmo, quanto há de boicote a uma transformação social verdadeira no Brasil.”

    Aderbal Freire Filho, um dos principais diretores de teatro do país, também alertou para o fato de que o Brasil vive clima de ódio e criticou a manipulação dos fatos pela grande imprensa, como um grande jornal brasileiro que disse ser farsa a posição dos artistas contra o processo de impeachment. Aderbal comparou o atual momento político ao golpe militar de 1964, que completa nesta quinta-feira, 31 de março, 52 anos.

    “Eu não sou editorialista, mas eu sou artista de teatro e posso dizer que farsa é exatamente o contrário. Farsa é quando personagens ridículos, fanfarrões, enterrados até o pescoço em corrupção, herdeiros de uma tradição política antiga de conveniência, de escândalos nunca apurados, quando eles são usados e quando a imprensa usa estes personagens para escrever a farsa do impeachment. Essa é a farsa. Nós não somos marionetes, temos voz, nós sabemos disso. O que estamos dizendo é que, sem crime e para atender interesses escusos, é golpe. Essa imprensa, para apoiar os golpes, ela muda os nomes, agora chama de impeachment o que já chamou de revolução.”

    Ainda na cerimônia, a Presidenta Dilma Rousseff também recebeu apoio internacional. O ator e ativista norte-americano Danny Glover enviou para o encontro uma mensagem em vídeo de amizade e solidariedade “aos milhões de brasileiros que valorizam a democracia”.

    No vídeo, o ator alerta que a democracia é uma conquista preciosa, sagrada, a ser defendida, e está ameaçada neste momento no Brasil. “Hoje, a democracia brasileira está mais uma vez ameaçada, desta vez por setores da sociedade que se recusam a aceitar que foram eleitoralmente derrotadas e buscam lacunas legais que possam levá-las à Presidência.”

    Danny Glover conclui: “Você não está sozinha. Sua luta é também a luta de todas as pessoas ao redor do mundo que anseiam por democracia, paz, liberdade e justiça. Nós estamos com vocês, e também declaramos: [Em português] Não vai ter golpe!”

    Ao agradecer as manifestações de apoio dos artistas e intelectuais, a Presidenta Dilma Rousseff ressaltou que, apesar de muitos ali não terem votado nela e possuírem posições até mesmo contrárias às do Governo, todos estavam ali pela permanência da democracia.

    “Todos aqui têm distintas filiações partidárias, muitos, inclusive, não as têm, e outros têm inclusive posições contrárias ao Governo. Muitos nem mesmo votaram em mim, não integram os 54 milhões que votaram em mim. Isso não tem a menor importância. O que tem importância é que todos votaram nas eleições. Todos participaram do processo democrático. Significa que nós acreditamos na democracia. Nós todos aqui não só acreditamos, mas lutamos por ela.”

    A presidente lembrou os 52 anos do golpe militar de 1964, ressaltando que aprendeu o valor da democracia de dentro de um presídio, vendo de perto as pessoas resistirem à tortura.

    “Pelo menos o pessoal da minha geração – eu estou me referindo a esses que mais diretamente participaram da luta. Nós aprendemos o valor da democracia da pior forma possível, que é de dentro de um presídio vendo as pessoas sofrerem, vendo as pessoas tentarem resistir à imensa força da tortura, que tenta fazer com que a pessoa traia aquilo em que ela acredita. É isso que a tortura faz, não é pura e simplesmente a dor, é o que ela procura fazer, quebrando a integridade humana daqueles encarcerados.”

    Dilma Rousseff também voltou a se defender em relação ao processo de impeachment aberto contra ela, reafirmando que não cometeu crime de responsabilidade, e aproveitou para explicar aos artistas e intelectuais as chamadas pedaladas fiscais, argumento usado para o pedido de impeachment.

    Na quarta-feira, 30, artistas de diversos segmentos realizaram em São Paulo um ato contra o impeachment da presidente. A manifestação, chamada de “Arte pela Democracia”, contou com apresentações artísticas no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (MASP), na Avenida Paulista.

    Na semana passada, a Presidenta Dilma também se reuniu no Planalto com juristas, advogados, defensores públicos e promotores contrários ao impeachment. Na ocasião, ela recebeu cerca de 30 manifestos de apoio ao Governo, e os juristas também qualificaram de golpe o processo de impeachment em andamento no Congresso Nacional.

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    Tags:
    não vai ter golpe, golpe de Estado, manifestações, democracia, impeachment, tortura, Dilma Rousseff, Brasília, São Paulo, Brasil
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