11:08 23 Agosto 2019
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    Protesto na Plaza de Mayo, em Buenos Aires, Argentina

    EUA abrem arquivos secretos do envolvimento americano na ditadura militar argentina

    © AP Photo / Victor R. Caivano
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    A chefe do Conselho de Segurança dos Estados Unidos, Susan Rice, anunciou nesta sexta-feira, 18, em Washington, que os EUA vão abrir os arquivos da inteligência militar e da inteligência sobre o envolvimento do país com os dirigentes da ditadura militar na Argentina no período de 1973 a 1983.

    Segundo Rice, o Presidente Barack Obama vai autorizar a revelação desses documentos, que se somarão aos cerca de 4 mil já divulgados pelo Governo norte-americano. O anúncio acontece às vésperas da visita que Obama fará à Argentina, no dia 22, após encontro com o presidente cubano, Raúl Castro, no início da semana.

    Nesta sexta-feira, 18, o jornal “The New York Times” publicou um editorial cobrando publicamente do presidente a divulgação desses documentos que vinculam a parceria do Governo americano com uma das mais violentas ditaduras da América Latina, nos anos 70 e 80. Cálculos de diversas entidades de direitos humanos estimam que durante aquele período cerca de 30 mil pessoas foram assassinadas no país, que ainda hoje não contabilizou o total de milhares de desaparecidos e torturados.

    Segundo o jornal, a visita de Obama à Argentina, no 40.º aniversário da ditadura militar, deve comprometer o Governo americano a encerrar aquele “período negro da história”, assumindo a participação direta na montagem de esquemas repressivos não só na Argentina como no resto do Cone Sul, através de operações como a Condor, com a troca de informações entre os Governos do Brasil, Uruguai, Paraguai, Argentina e Chile.

    Diversas entidades de direitos humanos e movimentos sociais já se manifestaram contrárias à agenda marcada entre Obama e o presidente argentino, Mauricio Macri. Os dois mandatários vão se reunir em uma cerimônia no Parque da Memória, que homenageia as vítimas da ditadura, junto ao Rio da Prata.

    A presidente das Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto, foi enfática: “Não creio que seja conveniente que venha o presidente de um país que criou a Doutrina de Segurança Nacional, o país de Henry Kissinger [então secretário de Estado], que reprimiu a América Latina”, disse Estela à TeleSur TV.

    Já Adolfo Pérez Esquivel – Prêmio Nobel da Paz em 1980 por suas atuações em defesa dos direitos humanos no continente – pediu que Obama reconheça a cumplicidade de Washington com o golpe militar.

    O presidente americano, porém, não estará em Buenos Aires no dia 24, data de aniversário do golpe. Na véspera ele viajará com a Primeira-Dama Michelle para descansar em Bariloche antes de retornar aos EUA.

    A visita de Barack Obama também já começou a render frutos políticos e financeiros à Argentina. Nesta sexta-feira, o vice-presidente do Banco Mundial (BIRD), Jorge Familiar, anunciou uma linha de crédito de US$ 1,6 bilhão a US$ 2 bilhões por dois anos ao Governo argentino, para criação de projetos de proteção social e geração de empregos.

    Em cerimônia ao lado do Presidente Mauricio Macri em Resistencia, província de Chaco, Familiar lembrou que os novos recursos se somarão aos US$ 2,8 bilhões já aprovados pelo organismo. 

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    Tags:
    golpe militar, segurança nacional, ditadura militar, TeleSUR, The New York Times, Mauricio Macri, Estela de Carlotto, Barack Obama, Susan Rice, Chile, Paraguai, Brasil, América Latina, Cuba, EUA, Argentina
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