03:52 27 Janeiro 2020
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    O negociador chefe das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, Iván Márquez, pediu ao Parlamento Europeu para que a União Europeia deixe de considerar as Farc como organização terrorista.

    O pedido foi apresentado por videoconferência na sessão do Parlamento Europeu da quinta-feira, 28 de janeiro. Iván Márquez agradeceu o empenho da União Europeia pela paz na Colômbia e saudou os parlamentares europeus pela criação do Fundo Fiduciário. Este Fundo será utilizado para financiar projetos e programas sociais na Colômbia.

    Sobre os fundamentos do seu pedido à União Europeia, Iván Márquez declarou: "No nosso entendimento, a atitude mais justa e consequente para os países europeus que buscam a paz na Colômbia é a retirada das FARC-EP (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo) da lista de organizações consideradas terroristas. Isto deve ser feito com celeridade para que possa prosperar o projeto de pacificação do país.”

    Sobre todas estas questões, a Rádio Sputnik Brasil conversou com o Professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Diogo Dario, especialista em políticas latino-americanas. Diogo Dario rememorou como as Farc foram incluídas na lista de organizações terroristas da União Europeia:

    “As Farc foram colocadas nesta lista em 2002, quando a questão do movimento contra o terrorismo, por conta da tragédia do 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, estava no auge da sua comoção. A União Europeia tem uma tradição de cooperação não só com as FARC mas com os demais organismos da Colômbia para a solução do conflito em diversas instâncias. O que Iván Márquez está tentando da União Europeia é obter uma declaração de apoio ao processo de paz na Colômbia e conquistar o reconhecimento de que as Farc são uma organização política e não terrorista.”

    Diogo Dario também explicou como os europeus contribuem para o processo de paz entre Colômbia e Farc:  

    “A União Europeia está prestando assistência humanitária e tentando formar lideranças comunitárias que possam implantar uma cultura de direitos humanos nas regiões marcadas pelos conflitos. Assim que o tratado for assinado, é provável que a Europa tenha uma participação mais ativa, devido ao seu grande know-how em mediação de conflitos, reintegração de ex-combatentes e tratamento de vítimas.”

    Para Diogo Dario, a aproximação com a sociedade europeia tende a se consolidar:

    “O mais importante para as Farc é obter o reconhecimento político. Quando a organização for aceita nesta condição, o seu partido, União Patriótica, ficará bem mais fortalecido.”

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    Tags:
    negociações de paz, assistência humanitária, conflito, política, revolução, tráfico, terrorismo, Parlamento Europeu, União Europeia, FARC, Diogo Dario, Europa, Colômbia
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