O presidente da Federação da Rússia, Vladimir Putin (segundo da esquerda para a direita), posa para fotografia conjunta dos líderes do BRICS

'Bolsonaro pode terminar de esvaziar o significado dos BRICS', diz especialista

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Os BRICS são uma das principais organizações internacionais do mundo, mas o Brasil tem diminuído sua participação no grupo. A Sputnik Brasil ouviu o sociólogo e analista político Gerardo Cerdas Vega, que alerta que Bolsonaro pode diminuir ainda mais o papel do país na organização.

O especialista é representante da ONG ActionAid no Brasil e um dos organizadores do seminário "Os BRICS e o Papel da China no Desafiante Contexto Geopolítico Global", realizado na quarta-feira (10) no Rio de Janeiro pela ONG ActionAid.

Gerardo Vega destaca que os BRICS cumprem um papel fundamental para equilibrar o poder político no mundo e apresentam estratégias de desenvolvimento que atendam a interesses próprios. Para ele, o grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul tem um papel importante como mediador no cenário de governança global mais descentralizado.

"O mundo precisa de espaços de governança diversificados, que permitam aos países desenvolverem estratégias que não apenas estão pautadas nos interesses de uma única potência", afirmou Gerardo.

O analista destacou ainda que o papel da China ao lado dos outros países do bloco, sendo ela a segunda maior potência mundial e também um país de relevância econômica crucial na economia do planeta.

"É óbvio que aqui o papel da China é muito relevante no bloco pela importância econômica e o tamanho da economia e da sociedade chinesa. […] A China tem interesse de construir esse bloco não apenas por interesses de ordem econômica mas também por questões de ordem política", explica.

Gerardo Vega ainda aponta que um país da dimensão do Brasil não deve se furtar de ter protagonismo internacional e que, através dos BRICS, o país tem a oportunidade de desempenhar um papel que é natural diante de sua relevância.

"Pelo tamanho do país, pela população que tem, pelo tamanho da sua economia, [o Brasil] não pode se dar ao luxo de ser um país com um fator menor no cenário internacional.[…] O Brasil precisa ser mais ativo no cenário internacional e os BRICS se apresentam como um espaço que confere ao Brasil um protagonismo diferenciado no cenário internacional".

Bolsonaro é visto como ameaça ao papel brasileiro nos BRICS

As eleições no Brasil têm colocado Jair Bolsonaro (PSL) como o candidato favorito à Presidência da República neste ano. No primeiro turno, ele foi o mais votado, com 46% dos votos. A última pesquisa de intenções de voto o colocou com 58% dos votos diante de 42% de Fernando Haddad (PT).

Gerardo Vega afirma que o atual favoritismo de Bolsonaro é visto como uma "grande preocupação" para os que defendem os BRICS. Isso porque já no governo de Michel Temer (MDB), houve um esvaziamento do papel do Brasil dentro dos BRICS "em termos de conteúdo, de propostas, de protagonismo".

"E a gente tem esse temor de que a eventualidade de um governo do Bolsonaro pode terminar de esvaziar o significado dos BRICS para o Brasil, com um alinhamento muito maior com os Estados Unidos e potências tradicionais. O que faria mal para o Brasil porque não formaria parte de uma política externa diversificada que permita ao país exercer influência no espaço internacional e não apenas de uma forma subordinada aos interesses de uma potência específica", afirma Gerardo, em referência ao desafio que os BRICS colocam sobre interesses internacionais que gravitam em torno dos Estados Unidos.

O analista político ainda aponta que no caso de Fernando Haddad ser eleito, a expectativa é de que ele, ao contrário de Bolsonaro, fortaleça os BRICS.

"Do lado do eventual governo do [Fernando] Haddad nós entendemos que […] teria uma continuidade maior, retomaria a importância desse bloco. Sendo que os governos anteriores do PT tiveram um protagonismo mais acentuado [nos BRICS], mesmo que, no governo Dilma, houve uma perda da relevância por parte dessa agenda, digamos, da política internacional do país", afirmou.

Gerardo enfatiza que independente do governo eleito, a continuidade do país nesse bloco deve ser defendida pela sociedade civil, pois o Brasil se beneficiaria de uma política externa "baseada na diversidade de espaços e de influência do país de forma condizente com o seu tamanho relativo no cenário internacional, tanto econômica como demograficamente".

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Tags:
eleições 2018, BRICS, BRICS, Jair Bolsonaro, Fernando Haddad, Gerardo Cerdas Vega, China, África do Sul, Índia, Rússia, Brasil
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