12:46 12 Agosto 2020
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    O crocodilo é o mais antigo animal de estimação entre os núbios, que habitam o sul do Egito e que criam e fazem do réptil a sua companhia.

    Na pequena localidade de Gharb Soheil, 900 km ao sul do Cairo, é costume os aldeões núbios criarem crocodilos em suas casas.

    Os núbios representam a principal minoria étnica do Egito e vivem no sul do país e a norte do Sudão.

    Mamdouh Hassan com um crocodilo bebê em sua casa na aldeia núbia de Gharb Soheil
    © AFP 2020 / Khaled Desouki
    Mamdouh Hassan com um crocodilo bebê em sua casa na aldeia núbia de Gharb Soheil

    Entre este povo, criar crocodilos é uma tradição ancestral. Os homens os domam e gostam de mostrá-los a pessoas curiosas "como sinal de força", diz Abdel Hakim Abdo, que tem 37 anos e mora na aldeia, ao jornal francês Le Dauphiné.

    Anjos do Nilo

    Para a antiga Núbia, que data de quase 7.000 anos atrás, o Nilo era e é um rio sagrado, representando a vida.

    no tempo dos faraós, o crocodilo foi elevado à categoria de divindade: Sobek, um deus réptil, protegia os humanos das inundações e outros perigos do Nilo.

    "O Nilo faz parte da identidade dos núbios. Todas as criaturas que lá vivem são consideradas anjos", referiu Abdo, sentado às margens do rio Nilo.

    Gharb Soheil, herdeiro desta tradição, detém uma fazenda de criação de crocodilos, vivendo igualmente das receitas das entradas que cobra aos turistas.

    Mamdouh mostra um crocodilo a turistas
    © AFP 2020 / Khaled Desouki
    Mamdouh mostra um crocodilo a turistas

    Na entrada de casa, o morador Hassan acaricia um crocodilo bebê aos olhares de turistas surpresos.

    "Esta é Francesca. Tenho-a criado desde que nasceu", afirmou com orgulho Hassan ao Le Dauphiné, referindo-se a um réptil de cerca de um metro e meio de comprimento deitado nos pés do dono.

    Embora Hassan também venda artesanato núbio, os turistas que o visitam têm olhos apenas para Francesca, que deve seu nome a visitantes italianos.

    Tanto os egípcios como os estrangeiros se acotovelam para ver de perto os animais e tirarem selfies.

    Mamdouh Hassan mostra um crocodilo a turistas
    Khaled Desouki
    Mamdouh Hassan mostra um crocodilo a turistas

    Os crocodilos domésticos podem atingir os sete metros de comprimento, mas Hassan assegura que não há razões para ter medo.

    "Nós os alimentamos e cuidamos deles e eles, com o tempo, perdem a sua ferocidade", assegurou Hassan.

    Um turista de passagem garante que aproveitou as férias escolares para que os filhos pudessem ver crocodilos de verdade.

    "Os aldeões seguem as fêmeas e coletam seus ovos", contou Hassan, que aprendeu o ofício com seu pai há mais de 20 anos, um dos primeiros a ver nos crocodilos domésticos potencial turístico.

    Na entrada de algumas das casas da aldeia, é possível ver crocodilos embalsamados, prática da qual os habitantes de Gharb Soheil se orgulham.

    Mamdouh Hassan segurando um crocodilo embalsamado em sua casa
    © AFP 2020 / Khaled Desouki
    Mamdouh Hassan segurando um crocodilo embalsamado em sua casa

    Segundo Hassan, a operação de embalsamento leva entre dois dias e um mês, dependendo do tamanho e da idade do animal.

    "Apesar de sabermos que o couro deles vale o seu peso em ouro, não queremos vender as peles dos nossos crocodilos de estimação e temos orgulho disso", rematou Hassan.

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    Tags:
    Egito, crocodilo
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