07:11 28 Maio 2018
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    Homem insere USB flash drive na cabeça

    Moço 'ciborgue' implanta cartões, chaves e passes de transporte debaixo da pele

    © Fotolia / Lassedesignen
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    Ele simplesmente queria carregar menos objetos consigo e implantou na palma da mão um circuito integrado de seu passe. Entretanto, por fazer isso, o homem, chamado Meow Ludo Disco Gamma Meow Meow, recebeu uma multa da empresa de transportes e foi obrigado a desativar o dispositivo.

    O protagonista da história está exigindo que a legislação atual corresponda ao desenvolvimento de ciência e tecnologia e não ao contrário.

    Por acaso, o nome da pessoa não é uma brincadeira de 1 de abril. Esse é mesmo o nome que está escrito em sua carteira de identidade. Acontece que o homem, que não poupou seu próprio corpo para experimentos, decidiu também experimentar com seu nome real e, após criar uma lista de palavras engraçadas junto com os amigos, escolheu as melhores, ficando com Meow Ludo Disco Gamma Meow Meow.

    'O chip na mão facilitou minha vida!'

    Entretanto, esta história não é dedicada ao nome esquisito do senhor Meow Meow, mas à sua façanha como biohacker. Em princípio, ele, segundo confessou à Sputnik Alemanha, decidiu "reduzir o número de fichas". Com isso, ele quer dizer os numerosos cartões, notas, moedas e chaves que cada pessoa tem que transportar permanentemente. Não é fácil encontrar um objeto preciso entre toda essa "bagunça".

    Então, o nosso hacker pensou que ficaria muito feliz em se livrar de todos esses objetos. Por isso, ele pediu a um funcionário da empresa estadunidense Dangerous Things que produzisse um chip para ele, para depois inserir no seu corpo em um dos centros médicos de Sydney. "Isto facilitou muito a minha vida", assegura.

    Contudo, o idílio não durou muito, pois seu truque não agradou nada à empresa de transportes australiana NSW Transport.

    "Primeiro eles bloquearam o passe emitido para mim. Mas aquilo que está implantado na minha mão não é o passe", explicou. Desde aí, os representantes da companhia têm feito todo o possível para desativar o chip de uma vez por todas, mas nunca o conseguiram. Claro que Meow Meow ficou indignado e recorreu ao Tribunal para apresentar uma queixa.

    Implantes de Meow Ludo Disco Gamma Meow Meow
    Implantes de Meow Ludo Disco Gamma Meow Meow

    'A lei ainda anda atrás das tecnologias'

    O Tribunal, por sua vez, passou a analisar se o biohacker teria modificado seu passe.

    "Neste aspecto, reconheci minha culpa", disse, pois ele na verdade tinha-o feito. Entretanto, no que se trata de apresentar seu "passe" aos controladores, nisso não houve nenhuma violação.

    "Em princípio, ninguém discute se eu tenho pago meu passe ou não. Ninguém se pergunta se eu botava minha mão nos postos de controle ou não. Nesse caso, a lei simplesmente ainda não se igualou às tecnologias contemporâneas", manifestou Meow Meow.

    Porém, a coisa é que a empresa considera como válidos só os passes que não são modificados, pois isso é ilegal por o passe ser propriedade da companhia. Assim, o fato do chip estar funcionando não interessa nada à empresa.

    Deste modo, o advogado de Meow Meow argumenta que a companhia deve se adaptar às tecnologias e não o contrário.

    "As tecnologias se desenvolvem, um dia tais coisas serão permitidas. Acho que dentro de uns 5 anos isto já não preocupará ninguém", disse o protagonista da nossa história.

    Bitcoin e cartão de visita na palma da mão

    Segundo assegura o hacker, o chip foi inserido na sua mão em conformidade com os padrões médicos existentes — do mesmo modo que se instalam os implantes ou estimuladores cardíacos. O chip se encontra dentro de uma cápsula hermética feita de um material biologicamente inofensivo. A própria operação foi efetuada por médicos qualificados.

    "Não foi tipo eu me cortar com bisturi em minha própria casa", gracejou Meow Meow.

    Claro que o chip do passe desativado não é único "implante" no corpo dele. No pulso, ele também tem um chip que, de fato, é um cartão de visita virtual. Em um dos polegares, tem um endereço do bitcoin "para que as pessoas possam transferir dinheiro para o meu endereço de bitcoin, simplesmente encostando o celular ao meu dedo".

    Graças a essa tecnologia, diz o moço, ele pode abrir as portas de casa ou do carro. "O ideal seria colocar no chip as informações do passaporte também; nesse caso eu, estando fora do país, não estaria com medo de o perder", explicou.

    Em resumo, o objetivo de Meow Meow é, de fato, implantar na sua mão o número máximo possível de tais funções. Por exemplo, em um futuro próximo ele quer encomendar um chip que guarde até 100 diferentes tipos de cartões.

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    Tags:
    ciborgue, chip, tecnologia, Austrália
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