15:00 20 Outubro 2019
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    Um vampiro

    Entrevista com vampiro (FOTO)

    CC BY 2.0 / fruity monkey / Vampire
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    Eles existem. Na Itália, há, pelo menos, 2.000. Eles vivem entre nós e bebem sangue, assim como nos contos de horror que tanto fascinam as pessoas. Eles até têm uma associação, Liga Italiana dos Vampiros, que une 2.000 mil vampiros por toda a Itália.

    A associação se encontra na cidade Meldola, província Romagna. Além do interesse pelo escuro, pelo neogótico e pelo horror, os membros da associação possuem mais um interesse em comum: fisiologia. O principal sintoma deste interesse é a temperatura baixa do corpo o que resulta na vida principalmente noturna e no desejo de beber sangue para se abastecer da energia vital. Na verdade, essa prática é aplicada por apenas umas 200 pessoas, que recebem sangue de voluntários, pois a distribuição ilegal de sangue é proibida por lei na Itália.

    A Sputnik Itália conseguiu falar com o presidente da associação dos vampiros, Davide Santandrea.

    "A Liga Italiana dos Vampiros é uma organização oficial fundada por mim em 2013. Ela une vampiros reais, como eu, e luta pelos direitos destas pessoas", explicou Santandrea.

    Além disso, prosseguiu, a organização estuda temas de medicina se baseando em pesquisas americanas sobre vampiros. Lá nos EUA, este fenômeno é estudado há 300 anos.

    "Não somos parecidos aos vampiros que aparecem no cinema e na TV. Não é coisa da moda. Não somos mortos ressuscitados. Não somos imortais e não dormimos em caixões, não temos medo de alho e água benta. Somos humanos, mas do ponto de vista da medicina somos diferente de outras pessoas", confessou o "vampiro" italiano.

    A principal diferença é a temperatura do corpo: pessoas comuns, habitualmente têm 36,6 graus, enquanto a temperatura normal do corpo vampiro é de 34 a 34,5 graus. Os vampiros são sensíveis à luz do sol, o que os obriga a usar protetor solar e óculos de sol. Mas, ao contrário do que contam nos filmes, o sol não pode matar vampiros.

    "Mais uma diferença é a cura mais rápida do tecido ósseo. Por exemplo, uma vez, eu quebrei quatro costelas. Os médicos disseram que eu precisava dois meses de cura, mas dez dias depois eu estava completamente curado", lembra Santandrea.

    Ele acrescentou que vampiros são mais ativos nas horas noturnas e preferem dormir durante o dia. Além disso, alguns vampiros têm capacidades paranormais, por exemplo, eles podem ver o passado, o que ajuda muito na colaboração com a polícia. Aliás, estas pessoas contam com cinco sentidos básicos mais desenvolvidos. Todas essas peculiaridades são documentadas por médicos americanos.

    "Do ponto de vista médico, os vampiros reais não precisam de sangue. O que eles precisam é da prana, ou seja, de energia vital. Devido a nossas capacidades, nós gastamos mais energia do que pessoas comuns. Precisamos dela para se sentir bem, por isso buscamos recuperar energia carente", explicou o vampiro.

    Beber sangue é um jeito mais fácil de receber a prana, pois toda a energia está concentrada no sangue. Mas, quando um vampiro consegue "beber" energia de outro jeito, ele para de beber sangue.

    "Beber sangue é visto como algo amoral, especialmente na Itália, a maioria dos verdadeiros vampiros não bebe sangue", assegurou Davide Santandrea.

    Ele contou que as regras da associação são bem duras, porque lidar com sangue é bastante perigoso. Apenas maiores de idade podem se juntar à associação ou ser doadores se sangue. Os que escolhem o caminho de doadores tem que mostrar todos os documentos e exames necessários que provam a ausência de doenças.

    "Atualmente estamos filmando uma telenovela sobre vampiros, onde eu contraceno Horus. Nos nossos filmes, os vampiros são mostrados de uma forma completamente deferente da imagem habitual. Mostramos vampiros como eles são na realidade", diz.

    Davide Santandrea
    © Foto / Davide Santandrea
    Davide Santandrea

    Seria a primeira telenovela sobre a vida cotidiana dos vampiros que se distancia de cemitérios, mordidas no pescoço e outras fantasias. Os vampiros reais, assegura Davide Santandrea, não são monstros. São pessoas comuns que até cooperam com serviços de segurança pública.

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    Tags:
    sangue, vampiros, Itália
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