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    Mundo lidando com COVID-19 no início de abril de 2020 (153)
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    A prática chinesa do comércio de vida selvagem por alimentos e medicamentos põe em perigo a saúde mundial, afirmaram especialistas noruegueses.

    As autoridades chinesas proibiram a compra e venda de animais selvagens para fins alimentares em meio ao surto de coronavírus, que já infectou mais de um milhão de pessoas em todo o mundo, uma vez que a doença teria se originado em um mercado de frutos de mar e animais selvagens de Wuhan, após contato com um animal doente.

    Embora a proibição se aplique tanto aos animais capturados como aos de criação, contém várias exceções importantes: a utilização de animais selvagens para a produção de peles, como animais de companhia, e para fins médicos, continua sendo permitida, comentou a Sociedade de Conservação da Vida Selvagem, segundo citada pela emissora BBC.

    Esta situação tem suscitado críticas por parte de profissionais. A criminologista Ragnhild Sollund, da Universidade de Oslo, Noruega, que investiga o comércio de animais selvagens, chamou a proibição chinesa de "cosmética".

    "Não creio que este coronavírus faça com que os chineses ou outros asiáticos acabem com estas práticas de utilização de animais selvagens para alimentação, vestuário e medicina", afirmou Sollund à emissora nacional NRK.

    Com isso, as condições atuais ainda permitem a propagação de um novo vírus infeccioso, afirmou.

    "Não vai suficientemente longe", ponderou Arne Naevra, bióloga, fotógrafa de natureza, cineasta e deputada pelo Partido Socialista de Esquerda da Noruega.

    Segundo Naevra, há três razões para acabar com esta prática: "razões de bem-estar animal, prevenir a transmissão da infecção e acabar com o tráfico de animais em perigo crítico."

    Ação mundial

    Naevra e Sollund acreditam que o governo norueguês deveria agir com mais força neste quesito.

    "A Noruega deveria dizer à China que, ao continuarem esta atividade, colocam as espécies em risco de extinção e que, pelo menos, não deveriam deixar que as importações de tais bens sejam realizadas sem entraves", afirmou Sollund.

    Mercado de frutos do mar de Wuhan, China, onde várias pessoas foram infectadas pelo SARS-CoV-2, fechado em 21 de janeiro de 2020
    © AP Photo / Dake Kang
    Mercado de frutos do mar de Wuhan, China, fechado

    Naevra previu um acordo global no âmbito do comércio de animais selvagens.

    "A comunidade internacional insistirá em um acordo após a crise do coronavírus. A ONU e a Organização Mundial da Saúde possivelmente assumirão a liderança, e porão finalmente em vigor uma proibição do comércio de animais selvagens", afirmou.

    Ragnhild Sollund sublinhou que todos os países devem unir esforços para a proibição.

    "É mais fácil impor uma proibição total do que uma legalização parcial. Isto deve-se ao problema dos mercados paralelos legais e ilegais, onde produtos e animais ilegais podem ser trazidos ao mercado legal", explicou Sollund.

    A embaixada chinesa admitiu que a vida selvagem desempenha um papel importante na medicina tradicional chinesa, mas a maioria destes ingredientes (87%) provém de ervas e apenas 12% provêm de animais.

    Salientou ainda que, através de uma legislação e um controle rigorosos, a China consegue preservar a vida selvagem, contribuindo ao mesmo tempo para a saúde pública. Sublinhou também o papel da China na proteção de espécies ameaçadas, como o panda-gigante, o elefante asiático, o antílope tibetano e o íbis-do-japão.

    Tráfico de animais e coronavírus

    De acordo com a revista Science, o tráfico de mamíferos selvagens é maioritariamente realizado no Sudeste Asiático e em partes da África. O comércio legal global de vida selvagem vale cerca de € 86 bilhões (R$ 488,1 bilhões) por ano, segundo o criminologista neerlandês Daan van Uhm.

    O valor do comércio ilegal é mais difícil de identificar, mas a Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção estimou seu valor em US$ 7 bilhões (R$ 36,9 bilhões) a US$ 23 bilhões (R$ 121,1 bilhões) por ano.

    Até agora, a pandemia da COVID-19, que teve origem na cidade chinesa de Wuhan, ocasionou 1.288.372 casos confirmados na maioria dos países, com exceção de várias nações insulares, com pelo menos 70.482 vítimas mortais da doença, segundo a Universidade Johns Hopkins norte-americana.

    Embora pangolins e morcegos tenham sido anteriormente apontados como a fonte provável do coronavírus, as ligações ainda não foram confirmadas de forma conclusiva.

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    Wuhan, Noruega, China
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