17:05 24 Janeiro 2020
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    As autoridades norte-americanas anunciaram uma trégua na guerra comercial com a China com muito alarde, mas economistas e especialistas em comércio internacional consideram em grande parte uma vitória para Pequim.

    Depois de uma disputa que durou quase dois anos, com vários esforços atrapalhados em uma resolução, os EUA concordaram em cancelar tarifas planejadas e reverter outras imediatamente, sem um compromisso semelhante da China de aumentar as tarifas impostas aos EUA.

    "Perdoe-me se eu não tomar champanhe, mas, além de uma interrupção contínua da escalada, não vale a pena aplaudir", avaliou o especialista em China Scott Kennedy quando questionado sobre o acordo. "Os custos foram substanciais e amplos, os benefícios estreitos e efêmeros".

    O escritório de Representação de Comércio dos EUA (USTR) informou que espera assinar o acordo da primeira fase na primeira semana de janeiro e publicou um informativo destacando os principais pontos, incluindo disposições de aplicação da lei e proteção aprimorada para a tecnologia americana.

    Além disso, inclui um compromisso chinês de comprar US$ 200 bilhões (R$ 821 bilhões) a mais em bens e serviços norte-americanos em dois anos, segundo o USTR.

    Isso seria um aumento significativo: a China importou apenas US$ 190 bilhões (R$ 780 bilhões) em bens e serviços em 2017. Portanto, se a meta for alcançada, o acordo reduzirá o déficit comercial dos EUA com a China em um terço.

    Ganhos objetivos ou perdas claras?

    O presidente estadunidense Donald Trump há muito se opõe ao desequilíbrio comercial, citando-o como prova de que a China está usando políticas enganosas para obter uma vantagem injusta.

    Trump escreveu no Twitter que Pequim "concordou com muitas mudanças estruturais e compras maciças de produtos agrícolas, energia e manufaturados, além de muito mais".

    Donald Trump, presidente dos EUA, e Xi Jinping, presidente da China
    © AP Photo / Andrew Harnik
    Donald Trump, presidente dos EUA, e Xi Jinping, presidente da China

    O presidente da Aliança para Fabricação Americana, Scott Paul, declarou que concordar em remover tarifas equivale a "doar grande parte de nossa alavancagem, atirando para longe as questões comerciais mais significativas com a China".

    E a economista comercial Mary Lovely analisou que o acordo só poderia ser visto como uma "vitória parcial" que "não mexeu muito na agulha".

    "Estávamos à beira do abismo e vimos os negociadores chegarem a um acordo que nos afastou, e acho que isso é importante", disse ela sobre a notícia de que Trump cancelou as tarifas de 15% sobre produtos eletrônicos que deveriam chegar no domingo.

    Mas os ganhos no acordo não compensam os danos aos agricultores e às empresas dos EUA, comentou ela a repórteres. "O presidente Trump está desesperadamente tentando voltar para onde a economia estava há 18 meses", antes de adotar essa "abordagem unilateral e de força bruta", acrescentou Lovely.

    Mas Kennedy disse que, em troca de "apenas concessões limitadas, a China conseguiu preservar seu sistema econômico mercantilista e continuar suas políticas industriais discriminatórias às custas dos parceiros comerciais da China e da economia global".

    Os agricultores e varejistas dos EUA receberam bem o fim da disputa, mas também queriam ver mais informações.

    O presidente da Federação Americana do Escritória Agrícola, Zippy Duvall, observou que antes da erupção das hostilidades a China era o segundo maior mercado de produtos agrícolas dos EUA, mas caiu para o quinto.

    "Reabrir as portas para o comércio com a China e outros é essencial para ajudar agricultores e pecuaristas a se reerguerem", informou Duvall em comunicado.

    Além do colapso das exportações e do aumento das falências agrícolas, o governo dos EUA pagou dezenas de bilhões de dólares em ajuda aos agricultores para compensar as vendas perdidas - fundos provenientes de tarifas pagas por consumidores e empresas dos EUA.

    A Federação Nacional do Varejo, que há muito se opõe às tarifas dos EUA, particularmente as duas últimas rodadas que atingem produtos de consumo em particular, declarou que "a guerra comercial não terminará até que sejam completamente eliminados".

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    Tags:
    tecnologia, agricultura, tarifas, comércio, economia, diplomacia, relações comerciais, relações bilaterais, relações econômicas, guerra comercial, Xi Jinping, Donald Trump, Estados Unidos, China
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