16:09 22 Setembro 2018
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    Homem com crianças em Ghouta Oriental

    O que a grande mídia não irá te dizer sobre Ghouta Oriental na Síria

    © AP Photo / Salve as crianças
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    Enquanto inúmeros meios de comunicação continuam emitindo alertas ao comparar o cerco de Ghouta Oriental, na Síria, com o massacre de Srebrenica, na Bósnia, em 1995, não se menciona que a área está dominada por duas facções islâmicas, que são combatidas pelas forças do governo sírio desde 18 de fevereiro.

    Na medida em que as forças do governo sírio intensificavam a artilharia e os ataques aéreos contra facções islâmicos visando o território de rebeldes, a Rússia pediu aos grupos armados ilegais que cessassem a resistência e se rendessem. No entanto, seus apelos foram ignorados.

    "A situação humanitária e socioeconômica em Ghouta Oriental está se tornando crítica. Os apelos do centro de reconciliação russo aos grupos armados ilegais para acabar com sua resistência, entregar as armas e regular seu status não trouxeram resultados positivos. Negociações para a solução pacífica do conflito em Ghouta Oriental foram descarrilados", disse Yuri Yevtushenko, porta-voz do Ministério da Defesa da Rússia.

    Enquanto isso, a situação humanitária na região se deteriorou drasticamente, levando o embaixador russo da ONU, Vassily Nebenzia, a pedir uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU para que todas as partes envolvidas "apresentem sua visão e compreensão da situação e criem caminhos para sair da crise". 

    Campanha para desacreditar Assad

    Neste contexto, a grande mídia internacional voltou a acusar Assad de crimes contra a humanidade, estabelecendo uma posição unilateral do Ocidente, ao mesmo tempo em que se recusava a levar em consideração os argumentos do governo sírio e a reconhecer a complexidade da situação.

    "Há terroristas contra quem o exército sírio está lutando e os terroristas estão bombardeando Damasco — e isso foi negligenciado. É uma situação complexa e não apenas uma via unidirecional", disse o enviado da Rússia.

    Enquanto o governo de Damasco, apoiado pela Rússia, tem sido acusado de bombardear civis na região e matar cerca de 300 pessoas, os dados para as acusações provêm de relatos dos Capacetes Brancos, famosos por repetidamente falsificar informações.

    Com isso, uma nova campanha de desinformação contra Bashar Assad foi lançada pela mídia ocidental e pela Al Jazeera, com sede no Qatar, na última tentativa de desacreditar os esforços de seu governo para restaurar a paz no país.

    New York Times — 'Forças bárbaras' Vs. Terrorismo

    Em um artigo do New York Times intitulado "O bombardeio da Síria tem estágio mais mortal em anos", os autores citaram o líder da Força Tigre do governo, o general Suheil al-Hassan, que anunciou explicitamente planos para acabar com os rebeldes na região.

    "Eu prometo, vou ensinar-lhes uma lição, em combate e com fogo", disse Al-Hassan em um vídeo compartilhado por contas de mídia social pró-governo.

    Ao destacar as "barbaridades" das forças pró-Assad, a publicação falhou em mencionar que os militares não estavam pretendendo lutar contra civis, mas expulsar e eliminar terroristas que têm sido cada vez mais ativos na região, usando o enclave como uma plataforma para conquistar Damasco. 

    De fato, o New York Times confiou em dados fornecidos pelo Observatório Sírio para os Direitos Humanos, que já foi elogiado pela mídia por sua contribuição para a contagem de vítimas. Mas o que se sabe sobre o Observatório é que seu escritório é baseado no Reino Unido, com seu fundador Osama Suleiman (agora com o pseudônimo de Rami Abdulrahman) morando em Coventry e liderando as atividades do Observatório de sua casa particular praticamente por conta própria. Os dados fornecidos pelo seu projeto são bastante questionáveis, dado o seu claro ângulo anti-Assad e pró-oposição.

    New York Times
    New York Times

    O jornal também citou um residente local, que afirmou que "os civis nunca tinham permissão para sair", ignorando o esforço diplomático feito tanto pela Síria como pela Rússia, que, apesar de falhar, já provou sua eficiência em Aleppo.

    The Guardian: ‘Outro Srebrenica’

    Já a mídia britânica escolheu uma maneira mais sofisticada de abordar a situação em Ghouta Oriental, comparando-a com o genocídio em Srebrenica, na Bósnia.

    The Guardian
    The Guardian

    O The Guardian apresenta seu artigo como se as forças da Síria e os "apoiadores russos" deliberadamente visassem civis depois que as conversações de paz falhassem, mas não menciona o fato de que enquanto Damasco e Moscou estão pressionando por um acordo pacífico, feito em Aleppo, com evacuações de pessoas e êxodo em massa de terroristas da cidade, os islâmicos estavam bombardeando a capital de Ghouta Oriental. Com isso, o artigo dá a impressão de que as partes não fizeram nada para proteger a população.

    O 'implacável bombardeio' do Al Jazeera

    A emissora do Qatar se juntou à campanha de desinformação da mídia, afirmando que as forças sírias apoiadas por aviões de guerra russos atingiram o enclave, matando centenas de pessoas. Enquanto o New York Times dependia de dados obtidos do Observatório, a Al Jazeera optou pelos mais "confiáveis" capacetes brancos, veiculando informações falsas.

    Processo de paz?

    Diplomatas russos estão negociando o processo de paz durante todo o conflito, trabalhando duro para evitar que o caos se espalhe mais. Os esforços deles, no entanto, foram constantemente prejudicados pelos duplos padrões dos Estados Unidos em relação à Síria.

    Recentemente, o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, chamou a atenção da comunidade internacional para o fato de que Washington estava tratando as questões "seletivamente".

    De acordo com o Departamento de Estado dos EUA, as forças aéreas de Damasco realizaram ataques indiscriminados em Ghouta Oriental, visando hospitais e centros médicos em toda a cidade, matando, assim, 100 civis nas primeiras 48 horas da operação "Damascus Steel". Na sequência desta declaração, o Departamento de Estado pediu à Rússia que pare de apoiar o presidente Bashar Assad em vista da "escalada da violência em Ghouta Oriental".

    Tanto a Síria quanto a Rússia buscaram um acordo pacífico para a crise na zona de segurança criada durante as conversações em Astana sobre a reconciliação síria. No entanto, os apelos para cessar a resistência e iniciar a evacuação de civis, bem como a retirada dos terroristas da área foram ignorados pelos rebeldes.

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    Tags:
    massacre, mídia, operação, The Guardian, The New York Times, Bashar Assad, EUA, Rússia, Ghouta Oriental, Síria
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